A muralha da Europa!

A Muralha da Europa

Batem as portas a encarnado num sincronismo singelo conjunto com o sopro do silêncio dos inocentes. Caem corpos sobre corpos nos degraus que aprendemos a chamar de direitos humanos.

Permanece o vazio e o medo de quem não sabe como resolver um problema, com traços de catástrofe.

A Europa vive uma aparente silenciosa crise humanitária sem precedentes, que borbulha a cada dia que passa.

Somos incrivelmente defensores do multiculturalismo, até ele deambular junto à porta das nossas casas e nos sufocar. A imediata reacção europeia tem sido a construção de uma fortaleza que se apresenta ténue perante aqueles a quem a vida roubou tudo e a morte figura-se como um preço que vale a pena arriscar.

A Muralha da Europa começou a desenhar-se com a operação Frontex ainda que os apoios desta à Itália sejam parcos face à crescente onda de refugiados de guerra provenientes do Médio Oriente e do Norte de África.

A recente crise no canal da Mancha é apenas mais um reflexo de um problema que se multiplica nos grandes portões de entrada na muralha europeia para estas pessoas que almejam uma vida melhor. Assim milhares arriscam a sua vida num longo percurso, em grande parte dos casos pedestre, longo e cruel, para quem apenas procura uma vida mais digna.

É tempo de os estados procurarem uma solução profícua antes que sejamos engolidos por toda esta muralha desumana que apenas adia e constrói um problema cada vez maior a cada dia que passa.

Será o mundo capaz de resistir à força avassaladora do desespero nómada do homem?