A Tourada é Cultura, a Cultura é Portugal!!

 

Luís Nunes dos Santos

Bisturi Cronista 


A tourada à Portuguesa é das artes performativas mais antigas da nossa Portugalidade, é uma arte e como tal, faz parte da rica cultura da nossa nação, portanto, pelos princípios básicos da liberdade de expressão que nos concede a democracia do estado português, é nosso dever respeita-la e respeitar quem dela tira proveito não só cultural e social, como também económico.
Portugal nação de cultura e tradição é indivisível das artes tauromáquicas, pois tradição é entrega e é preciso entrega, abnegação, educação e ética para executar a lide de um bravo touro (lide a pé, lide a cavalo e pega de caras), sendo desta forma o “TOURO” o ator principal nesta tradicional arte portuguesa.

Segundo o artigo 73 nº3 da Constituição Portuguesa: “O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação de cultura”, portanto o Estado é o principal garante de todos os portugueses à sua cultura, porque a cultura não é posse de ninguém, não é posse de nenhum governo ou de nenhum grupo de pessoas.

A cultura deve ser universal, de todos e para todos, porque constitui um conjunto de costumes, de instituições e de obras, como de conhecimentos adquiridos que vincam de forma marcante a herança de uma comunidade, de um povo e de um país.

A tourada à portuguesa foi-se formando com o próprio pais, ninguém mandou que tinha que ser assim, a liberdade cultural dos portugueses assim a criaram ao longo dos anos e chegou aos nossos dias da forma como a conhecemos.
E é nesse sentido que vem o Decreto de Lei nº89/2014 do dia 11 de Junho que diz: “A tauromaquia é nas suas diversas manifestações parte integrante do património da cultura popular portuguesa”.

A tauromaquia é perante o Estado uma parte de Portugal, e com a tendência da globalização e da uniformização de costumes e práticas culturais, temos que salvaguardar aquilo que nos faz ser quem somos, a tourada à portuguesa só existe no nosso país, portanto é dever de todos preservar e potencia-la nas várias valências que esta festa nos pode oferecer.
Nós não temos de gostar todos do mesmo, a cultura é livre, mas é no respeito pelas diferenças de cada um que se pode defender a nossa cultura e a nossa democracia, baseados nos valores fundamentais do humanismo, na exaltação da pessoa humana e nas liberdades de escolha de cada um de nós.

É por isso que a polémica em volta da RTP não faz de todo sentido, é facto que enquanto serviço público que presta aos portugueses, é o seu dever levar a tourada à casa das pessoas que por alguma razão não tem acesso, nem possibilidade de assistir ao espetáculo tauromáquico.

O bom senso tem que imperar neste assunto, uma vez que, a maioria dos portugueses assiste, gosta e vibra com a tauromaquia, as audiências são prova disso mesmo, quem ocupa o cargo de diretor de programas da RTP não pode impor a sua vontade no serviço público que a RTP presta.

Termino com uma denúncia: muitos são os grupos de forcados espalhados pelo território nacional, muitos deles tal como o da minha cidade, o Grupo de Forcados Amadores de Évora, têm que pagar seguros dispendiosos para manterem a sua atividade de bem pegar os touros.

Todos sabemos que pela sua condição de amadores, os forcados orgulhosamente não recebem qualquer tipo de remuneração, por isso peço às autarquias que ajudem os grupos das suas terras.

No caso de Évora, o grupo de forcados eleva o nome da cidade bem alto, não só por esta cidade Alentejana ser a capital do forcado, ou pelo facto de ser uma escola de valores e de homens onde varias gerações de famílias da cidade passaram. Mas também pelas várias digressões do Grupo de Forcados Amadores de Évora no país e no mundo, levando o nome da cidade ser a reconhecido além-fronteiras como baluarte da cultura portuguesa.

O Grupo de Forcados Amadores de Évora faz hoje 54 anos de existência, e se a autarquia eborense menospreza a historia e os feitos do grupo não ajudando com a logística inerente à arte de pegar touros, então proponho como cidadão uma homenagem que passa por dar a uma rua o nome do grupo para que todos na cidade se lembrem das gerações de pessoas que fizeram parte de uma instituição que há tantos anos serve a cidade de Évora, como poucos.

Parabéns pelos 54 anos Grupo de Forcados Amadores de Évora… sorte para a época e um venha vinha e um olé para todos!!