Autárquicas 2017 – Casos e Pessoas

André Tavares Moreira

Bisturi Cronista


Para muitos o Verão representa a chegada da Silly Season. Os mergulhos do Professor Marcelo, as festas da Caras e TVI nos bares, restaurantes e discotecas Algarvias, os instas dos famosos nos festivais de verão, etc… Para mim, a Silly Season é noutra altura. Quando?
Por exemplo, quando um árbitro não marcou um fora de jogo num jogo dos três grandes, quando alguém comete a heresia de atacar o Presidente da República ou … quando há eleições. E o que acontece a seguir? Painéis, muitos painéis. Com comentadores para todos os gostos. E casos, muitos casos e imensas teorias.
E aí começa o meu artigo deste Setembro. Autárquicas: Casos e Pessoas

1. Casos
Nestas autárquicas já se falaram de tantos casos, que até já perdi a conta (e eu considero-me um cidadão minimamente informado). Primeiro foi a Selminho, especialmente ressuscitada, sem alguma novidade, nem qualquer interesse. Apenas uma arma de arremesso político de adversários sem ideias, propostas, e, sobretudo, sem grande ética. Depois foi o apartamento que Medina terá comprado a um familiar da Teixeira Duarte. Aqui, ao contrário do Porto, valeu a elevação de Teresa Leal Coelho ao afirmar que não vinha para o debate discutir casos. Não faltaram casos, e, possivelmente, havemos de ter mais coisas até dia 1.
Todos estes casos têm um denominador comum. Foram notícia em época de eleições autárquicas e foram semeados por opositores, sem capacidade de cativar eleitores com novas propostas, como novas ideias para as suas cidades. Aí, lançaram mão da arma mais simples e mais suja: o ataque pessoal, o boato e a insídia. Não interessa se é verdade ou mentira. Não interessa se são fatos soltos, mas que especialmente combinados e expostos num determinado tom pareça outra coisa. Se der para queimar é bom. Se for em lume brando, é perfeito!
Os autores deste tipo de ataques julgam fazer um ótimo serviço à democracia, quando na verdade, a única coisa que conseguem é contribuir para a abstenção, adensando o mito que os políticos são todos iguais e todos corruptos. Se alguém que ataca tem alguma coisa de relevo, então que se dirija ao Ministério Público, preste declarações, e, apresente fatos que infirmam as suas acusações. Depois, é deixar a Justiça atuar.
O que não é aceitável é enlodar o espaço de debate público. Alguém sabe quais são as propostas dos opositores destes candidatos para cada uma destas cidades? Obviamente que não, porque essa informação é tão mais desinteressante quando há um boato para vender.

2. Pessoas
Para mim, as eleições autárquicas, mais do que partidos são pessoas. A própria organização administrativa por autarquia e freguesia exige um conhecimento de proximidade. É um voto popular onde, mais do que em qualquer outro, é sufragada a confiança numa pessoa e no seu mérito.
Pelo fato de um serviço público não ter processado o meu pedido de alteração de morada, pela primeira vez numas autárquicas votarei na cidade do Porto, ao invés da minha Póvoa de Varzim. Sou desde há largos anos filiado no PSD, mas isso não me impede de escolher aqueles que julgo melhores para traçar os destinos de uma qualquer edilidade.
Assim, não tenho qualquer pejo em votar Rui Moreira no Porto, por ser o presidente que voltou a encher de orgulho os portuenses em ser do Porto, que não hesitou em bater o pé ao poder central sempre que necessário, e, que tem para a cidade um projeto de enorme valor. Como também, não me causa qualquer prurido em votar PS à Assembleia Municipal do Porto, por ter nas listas aquele que acredito ser uma das melhores pessoas que eu conheço da minha geração, na política (Pedro Braga de Carvalho). Apesar de estar do lado ideológico oposto ao meu, as longas conversas que tenho com ele permitem-me confiar o meu voto.
Quanto à minha cidade, a Póvoa de Varzim, não tenho qualquer dúvida. Aceitei fazer parte de um projeto há quatro anos, e, aceitei novamente o convite para dar continuidade a esse projeto. Na qualidade de deputado municipal (e agora de candidato a deputado municipal), tive a possibilidade de acompanhar de perto o excelente trabalho do executivo camarário, trabalho esse, que teve como receita para o sucesso uma enorme dose de intervenção pessoal. Hoje, não tenho a menor dúvida em afirmar que a minha cidade está melhor, mais feliz e mais dinâmica. Daqui a quatro anos estará ainda melhor!
Finalmente, peço a cada um dos leitores eleitores que, no dia 1 de Outubro, acima de tudo, votem. E não, não vou pedir o meu voto aos Poveiros, nem vou pedir o voto em ninguém que eu apoio ou acredito, seja na Póvoa ou no Porto. Eu sei que cada um de vocês é mais do que capaz para saber aquele que é o melhor candidato para a vossa cidade.
Por isso, no próximo dia 1 não fiquem em casa, nem deixem os vossos conhecidos ficar em casa. Se necessário sejam desagradáveis com eles, mas obriguem-nos a votar. E se eles disserem que não se reconhecem em nada, nem em ninguém, então que votem branco, mas votem.
O mundo que temos hoje não se fez com os nossos antepassados sentados no sofá!