Do Verbo Morrer!

Adriana Correia

Bisturi Cronista


E houve um dia em que levaste as minhas lágrimas. Morreste para o mundo mas nunca para mim. De ti levo tudo e nada, numa confusão de acontecimentos e uma difusão de sentimentos. O mundo é perfeitamente imperfeito e espero descobrir todos os dias a felicidade escondida desta aventura que é a vida, numa passagem espiritual intransmissível, que torna tudo tão mais interessante. Contigo ou sem ti.

Mas o que é a felicidade? Debatemo-nos diariamente com esta questão. Exigem que nos sintamos felizes à mínima coisa, evento ou acontecimento, como se de uma fábrica de sorrisos fôssemos feitos. Este é um termo demasiado complexo para se tentar alcançar com o mínimo de esforço e ele é tão mais eficaz quando menos esperamos. Tomamos como garantida a nossa respiração, a nossa capacidade de adaptação, a nossa capacidade de ultrapassar os momentos menos bons da vida, o oxigénio, a comida, pessoas que gostam de nós, a praia que temos perto de nós ou o campo por onde nos podemos perder no tempo. Tudo parece ser tão dificilmente fácil, em que tentamos sempre complicar aquilo que pode ser banal e bonito ao mesmo tempo. Porque é que a felicidade tem de estar em algo dificilmente alcançável?

A felicidade é algo muito nosso e que nós devemos procurar anteriormente obter sem a ajuda de terceiros. Cada um de nós tem a sua história de vida com a qual tem de saber viver. Houve vidas fáceis e outras mais complicadas mas nunca se baixam os braços àquilo que o futuro reserva para nós. Tantas surpresas, desafios e provas nos colocarão à frente que uns maratonistas pareceremos a tentar alcançar tudo aquilo que é possível até à meta.

A felicidade é bonita e feia, longa ou instantânea, fraca ou forte, real ou falsa. Gosto de pensar que serei feliz à minha maneira, quando achar que não tenho mais nada para conquistar nesta vida. Acho ridículo ou simplesmente estranho quem se diz feliz com a vida numa tenra idade. Espanto-me com o facto de que poderei estar em contacto com pessoas pouco ambiciosas ou que a vida seja fácil para elas. “Acho que nunca vou ser feliz” penso eu imensas vezes enquanto o tempo passa por mim. Alguns podem pensar que isto é mau mas isto tem muito de bom. Ser uma eterna insatisfeita contribui para que eu procure algo e esteja em constante mudança do meu ser físico e espiritual porque não sou só feita de uma face mas sim de várias.

Só nos apercemos que estamos bem depois de evento ou eventos, mais ou menos sucessivos, cujas superaçoes foram de forte magnitude e nos colocaram em perspetiva. Daquilo que queremos e não queremos, daquilo que fizemos e faremos, igual ou diferente, nas pessoas que se cruzaram pelo nosso caminho e que de alguma forma nos marcarão para sempre. Não é apenas na ponta dos dedos que temos impressões digitais, na alma também.

Amo amar. Ainda estou por descobrir um sentimento mais forte que este.