Editorial Maio 2018 | Opinião no Jornal Referência| Na Saúde e na Doença!

Mafalda G. Moutinho

Bisturi Fundadora/Editora


Até que a morte os separe.

E antes da morte juram fidelidade e lealdade.
São votos vomitados no mundo católico em dia de matrimónio.
Mas fora do mundo católico também se fazem juras semelhantes: vamos ficar juntos para sempre, ter filhos e quem sabe até casar.
Até que surgem os problemas do foro económico, afectivo ou até do mais imprevisível de todos:a Saúde!

A doença tal como a morte, não se faz anunciar.
No entanto é generosa em relação à morte porque nos vai deixando múltiplos sinais na maioria dos casos, noutros é silenciosa…

Quantos homens e mulheres vêm os seus companheiros desaparecer quando a doença bate à porta?

É hediondo imaginar que um ser humano é capaz de abandonar outro, quando este está fragilizado e mais precisa de apoio.
Mas é real e não é assim tão incomum como podemos pensar.

Os hospitais gravam histórias de vida, algumas inspiradoras outras que nos deixam no chão…
Devo dizer-lhe que se este foi o seu caso, o ditado popular faz sentido: mais vale só que mal acompanhada(o).

Quem não sabe lidar com o sofrimento e o rejeita na sua arrogância e egoísmo abdominal jamais será capaz de partilhar consigo seja o que for sobretudo estes momentos em que necessita de um pilar.
Não perca um segundo de sofrimento por essa pessoa agora que necessita de todas as suas forças e lute, porque um dia vai olhar para trás e verá que os dias mais bonitos foram aqueles em que lutou por si mesma (o).

Da doença falemos dos problemas económicos.
Do dia para a noite um dos membros do casal fica sem emprego.
É comum em muitos destes casos, essa pessoa não só deprimir-se como acomodar-se a este novo estado ou ausência de estado de vida.
O parceiro fica encurralado, vê a pessoa enérgica que ama, desaparecer a pouco e pouco, e as juras de outrora rapidamente darão lugar a discussões e a uma inevitável separação mais tarde ou mais cedo.

Dos problemas económicos passemos ao foro afectivo.
Falo sobre as traições por um dos indivíduos do casal ou até por ambos.
Duas bocas que juraram ser únicas mas que afinal beijam tantas outras.
Bom este último caso oferece-me algumas náuseas abdominais e como tal não o consigo descrever.

Saibamos viver o dia a dia com pragmatismo, porque de votos e de juras de amor, cada vez menos vive a maioria dos homens e mulheres!

Tudo é imprevisível, nada é certo…

https://jornalreferencia.wordpress.com/2018/05/07/opiniao-na-saude-e-na-doenca/