Esquecimentos de Férias!!

 

Ana Regina Ramos

Bisturi Cronista


Já imaginaram se fossem de férias e tivessem esquecido o telemóvel em casa?

Seria um drama! Como conseguiríamos atualizar as nossas redes sociais com uma foto de cada paisagem que víssemos, em vez de aproveitarmos o momento com quem estava ao nosso lado?

Como saberíamos o que os nossos “amigos” estão a fazer ou como veríamos notícias estranhas?

Pois é, seria complicado, numa altura em que quase 6 milhões de portugueses usam a internet (segundo dados de 2015 do Bareme Internet) e mais de metade está nas redes sociais (de acordo com dados de 2015 da Marktest).

E se nos esquecêssemos dos nossos animais de estimação enquanto vamos dedicar uns dias ao nosso bronze?

Aí o caso muda de figura e a preocupação parece que já não existe: entre 1 de janeiro e 17 de agosto de 2015, os registos oficiais contabilizaram a entrada de 9581 animais nos centros oficiais de recolha – 7937 cães e 1644 gatos que ficaram sem a sua “família de coração”.

Desde 2014 que o abandono animal é crime (Lei n.º69/2014, de 29 de Agosto), podendo resultar em seis meses de cadeia, mas não é isso que faz com que o número de animais que são deixados por aí diminua.

Aliás, nem metade dos processos têm enquadramento criminal.

E isto também acontece porque muitos dos animais não estão identificados com o micro-chip que tem de ser colocado por baixo da pele, com um número que identifica o animal e o seu proprietário – o que é obrigatório fazer desde 2008 para os cães e gatos entre os três e os seis meses de idade.

Não é falta de informação, nem é falta de opções e, muito menos, falta de “vizinhos com quem deixar”.

Existem vários serviços que estão ao dispor de qualquer dono de um animal de quatro patas: Pet Hotel, Pet Sitting, Pet Daycare, Pet Walking e Dog Taxi, que proporcionam hotéis, “amas-secas”, infantários, passeios e até transporte para todos os locais onde o animal precisa ir.

E se acham que “se nem eu vou para um hotel, vai agora o meu animal?” – há sempre alguém que vive numa casa ou tem espaço para isso e que esteja disposto a ficar uns dias a cuidar do cão ou gato.

Não falta por aí quem queira dar amor e carinho a estes “bichinhos de quatro patas”.

Todos nós sabemos que os “cachorrinhos” e o “gatinhos” não ficam pequeninos e tudo o que acaba em “inhos” para sempre!

Assim como os humanos. Crescem, criam uma personalidade, aprendem connosco (e nós com eles!) e, acima de tudo, tornam-nos parte deles, já somos parte da “família” deles – e eles da nossa – desde a primeira lambidela!

Não formam frases, não sabem escrever, nem usar as novas tecnologias como nós, mas sabem muito mais daquilo que é imaterial e que vai-se ganhando à medida do tempo.

É uma crueldade o ser humano ser capaz de amarrar dentro de um saco, cortar membros ou atropelar propositadamente simples cães ou gatos só porque eles cresceram e já não são tão “fofinhos”, porque não têm mais tempo para cuidar deles, ou porque vão de férias.

Já imaginaram o sofrimento deles? Mas, mesmo assim, eles não deixam de amar os “donos”! São mesmo fantásticos e puros! Temos muito que aprender com eles.

E já que somos tão agarrados ao ecrã do telemóvel, podemos usar isso a favor dos nossos animais.

Em setembro, está previsto o lançamento de uma plataforma digital que reúne todos os serviços que existem para animais de estimação e permite que os donos possam procurar com mais facilidade.

Chama-se PetLook e, através de críticas, os utilizadores podem perceber se o serviço que estão a escolher tem qualidade e, caso algum desperte o interesse, agendá-lo e saber até os preços. Entre os vários serviços disponíveis estão hotéis veterinários, centros de cuidado diário, salões de beleza animal e outro tipo de serviços alternativos.

Com todas estas possibilidades, porque continuamos a deixá-los pelo caminho se não faríamos isso nem com o nosso smartphone, que não espera por um carinho nosso quando chegamos a casa? Vamos acordar (de preferência, com um miar ou latir)!