Opinião no Jornal O Matosinhense | Pensar Matosinhos

Mafalda G. Moutinho

Bisturi Fundadora


Pensar Matosinhos!

«Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dediquem a ele.» Henry Ford

Matosinhos é, hoje, uma terra de sonhos por cumprir, com o seu horizonte e mar como pano de fundo.

O mesmo horizonte que nos revela os sonhos, os caminhos, as oportunidades de uma cidade aparentemente evoluída, mas que, na realidade, parou no caminho do seu histórico progresso.

Foram décadas a vermos ser formada uma terra que, rapidamente, se tornou a predilecta para as famílias verem crescer os seus filhos a Norte de Portugal e ao lado da cidade do Porto.

Matosinhos tornou-se, com o tempo, um gigante dentro da área metropolitana do Porto.

Matosinhos é, hoje, uma cidade com uma linha costeira preservada e de eleição para tantos veraneantes, uma cidade na qual se multiplicam os espaços verdes, bem como os grandes gigantes do comércio.

É uma cidade com uma rede moderna de transportes naquilo que se refere ao Metro, necessitando de uma clara reformulação na qualidade dos demais transportes públicos, nomeadamente a rede de autocarros.

No entanto, a terra de horizonte e mar parece esquecer e não promover a sua história, bem como a das suas gentes, de forma eficiente.

Não se entende que, na dinâmica actual de cidades inteligentes e promotoras daquilo a que eu chamo a “Economia do Turismo”, Matosinhos tenha um centro histórico esquecido e desconhecido para tantas pessoas.

É necessário fazer renascer, a par da história das gentes da cidade, o centro histórico. Matosinhos dispõe de tudo e mais alguma coisa para possuir um centro histórico cosmopolita, moderno e que reflicta a identidade dos Matosinhenses, atraindo, assim, a Economia do Turismo, numa cidade rodeada pelo profundo azul do mar e pelos sonhos gravados no horizonte.

Porém, na lógica mundial dos centros das cidades, Matosinhos soube seguir a lógica que serve tudo menos os cidadãos. Falo dos parquímetros que inundaram todos os estacionamentos disponíveis da cidade.

Pergunto-me como esperamos, no país Europeu onde os cidadãos mais impostos deixam ficar ao Estado, gerar qualidade de vida, cobrando fortunas pelos estacionamentos.

É certo que é necessário eliminar os carros das cidades, utilizando mil e um argumentos ambientalistas, e promover a utilização dos transportes públicos, contudo, para que existem as cidades?

As cidades devem servir o cidadão; não podemos esperar apenas o contrário. E é nesta lógica que vejo não só em Matosinhos, mas em várias cidades Portuguesas, cidadãos desesperados para viver o seu dia a dia. Vejamos o que aconteceu na cidade de Lisboa com a EMEL, há pouco tempo…

Ouvi, recentemente, alguém dizer que o desafio autárquico de 2017 é uma oportunidade única, uma vez que a cidade está “sem cor política no poder local.”

Enquanto os que se propõe ao Poder Local das cidades virem a política como um jogo de poder entre vencedores e derrotados, a decadência da democracia bafienta em que vivemos continuará a ser cavada…

A grande oportunidade do desafio deste ano é o Think Tank que Matosinhos oferece a si mesma e merece…

Matosinhos necessita de ideias e soluções para continuar o seu progresso, venha de quem vier, independente de cores políticas e de ideologias. Aliás, hoje em dia, o que são as ideologias, que não apenas bandeiras eleitoralistas?

E é assim que me despeço de si caro leitor, prometendo, no próximo artigo de opinião, dissecarmos a democracia dos cidadãos e a dos partidos.

Não será a mesma, uma vez que ambas são compostas por cidadãos de carne e osso?

Não serão ambas válidas e necessárias?

E não necessitará a democracia dos partidos de deixar inundar-se pela democracia dos cidadãos?