Longevidade a que preço?

Sandra Carvalho

Bisturi Cronista


Foram anos de austeridade e agora Portugal tenta virar a página para se tornar num destino privilegiado de investimentos!

Na eterna dificuldade de lidar com o tempo, o nosso próprio e o do mundo, nos questionamos sobre o momento certo de cada coisa, lidando com respostas, ações e frustrações, resultado de escolhas. A bênção do aumento da esperança de vida exige políticas públicas de apoio a um envelhecimento activo e saudável, o que implica uma reestruturação radical do processo de educação-trabalho-reforma.

Num mundo que muda mais rapidamente do que nunca, navegamos em uma incrível quantidade de incerteza e ambiguidade. Todas as gerações se confrontam com o desconhecido: o futuro é isso. É verdade que, nos dias que correm, a dinâmica da inovação tecnológica levanta questões mais complexas do que antigamente. A automatização, a robótica, o digital suscitam questões difíceis para nós. Ao longo da história, todos os avanços produtivos, todos os avanços tecnológicos, permitiram criar mais postos de trabalho do que aqueles que iam sendo destruídos. Portanto, é necessário reinventar a forma de trabalharmos, de partilhar o tempo de trabalho, de partilhar os ganhos de produtividade de uma outra maneira.

Diria que há uma rutura entre o quadro político dominante e os cidadãos comuns, que se sentem angustiados. Nós temos de nos reaproximar daquilo que os cidadãos e as cidadãs realmente esperam da política.

A segurança social e o sistema de pensões implicarão forçosamente mais despesa e isso aumentará a pressão financeira. Essa benção do aumento da esperança de vida exige, pois, políticas públicas de apoio a um envelhecimento activo e saudável, o que implica uma reestruturação radical do processo de educação-trabalho-reforma, assim como o investimento em saúde, cuidados sociais e mobilidade.

Nunca é tarde, nunca é cedo. É o tempo só!

É tempo de mudar e reverter este cenário ora, é isto que os governo não quer ouvir!