O novo cavalo da Troika: Syriza

O Novo Cavalo da Troika: Syriza

“Os homens tropeçam por vezes na verdade, mas a maior parte torna a levantar-se e continua depressa o seu caminho como se nada tivesse acontecido”.

Bastaram dois dias após as eleições na Grécia, para a grande promessa eleitoral do Syriza cair por terra, o perdão da dívida grega, tendo sido afirmado por Varoufakis que tudo isto não passou de bluff político.

Temos uma noção tão precária de nós mesmos enquanto nação que necessitamos constantemente de apontar para alvos para nos podermos definir.

A sabedoria política dominante sugere que para evitar desmoronamento do Estado, precisamos de uma causa nacional, mas para além da nossa moeda e claro miséria, analfabetismo e eleições, não temos nenhuma.

O Syriza usou e abusou de todas estas para vencer as eleições.

A política do Syriza recorda-me um relógio avariado, sendo que até este está certo duas vezes por dia.

Se por um lado sabiam que para vencer as eleições bastaria uma política chauvinista baseada numa pseudo-revolta nacional contra a austeridade, contra a troika, contra a Alemanha e contra o capitalismo ‘ladrão’ dos pobres.

Por outro lado, sabiam perfeitamente que os programas de assistência evitaram bancarrotas e pouparam os vários países a problemas bem maiores do que propriamente os que infligiram.

E é por isto mesmo que a Grécia, se mantém na Europa, após cinco anos de troika.

A arrogância e a demagogia saem caras.

Perante a ausência de soluções reais para um país na bancarrota, a Grécia mudou o ‘nome dos bois’, mas mantém a troika e a austeridade.

Assim no acordo com Bruxelas o memorando da troika passou a chamar-se “actual acordo”, a troika passou a designar-se “as instituições”, os credores passaram a “parceiros” e a austeridade a “condições”.

Por seu lado, Varoufakis andou pela Europa a tentar vender uma solução para a dívida grega, esquecendo o perdão da mesma, sem sucesso.

Não bastou revestir-se de um estilo informal, e incitar toda uma propaganda esquerdista pela Europa de solidariedade para com o povo grego.

Falta saber até quando vai permanecer o povo grego sem sair à rua, perante as mentiras do Syriza e a continuidade da troika.

Pior ainda será uma possível inevitável saída da Zona Euro que aumenta a cada dia que passa. Como irá o Syriza mediar isto tudo?

Voltará a vestir a capa da revolução do povo injustiçado?

E como vai lidar com o seu povo, agora que já não conta com o seu apoio?

Em Portugal, infelizmente ainda há quem ache que para sairmos da bancarrota em 2011 bastaria batermos o pé à troika, quando hoje a própria Grécia inicia mais um novo ciclo de austeridade cinco anos após estar sujeita à mesma. A Grécia voltou à estaca zero.

Avaliando o plano Varoufakis aprovado esta terça-feira observamos um plano muito semelhante ao iniciado pelo governo Português em 2011, o mesmo governo que a extrema esquerda acusa de ser mais alemão que o da Alemanha.

E agora?

A Grécia tem até Abril para apresentar o seu plano mais detalhado e colocar as medidas propostas em andamento.

No entanto, até lá a ‘torneira’ do financiamento Europeu fechou-se.

O governo liderado por Tsipras elegeu a caça às bruxas, a evasão fiscal, como prioridade.

Será suficiente para salvar a Grécia?

A evasão fiscal é na Grécia um problema cultural. Como irá o Syriza combater na realidade este problema?

E Portugal como ficará Portugal se continuar o plano de recuperação sob governação socialista?

Na Grécia, o partido socialista grego afundou o país, tal como o nosso anterior governo socialista português.

O que nos poderá esperar por cá numa altura que todos os resultados nos colocam no caminho do crescimento e da sustentabilidade económica se desistirmos desta rota?

Esta é a nossa demanda de identidade enquanto eleitores.

Se queremos encontrar uma saída, precisamos de respostas honestas a perguntas desconfortáveis.

Perguntar é desobedecer e serve para todos os quadrantes políticos.

O nosso desinteresse e a elevada abstenção servem o caciquismo e aqueles que fazem da política carreira.

Precisamos de renovação, mas não é de qualquer renovação.

Precisamos renovar o que temos e continuar a caminhar, para não cairmos no erro da Grécia que deitou por terra cinco anos de austeridade e começa agora um novo ciclo da mesma.