O Ténis da Vida! | Editorial Janeiro 2018

Editorial Janeiro 2018

Mafalda G.Moutinho

Bisturi Fundadora/Editora


Sempre gostei de praticar desportos cooperativos talvez por em essência necessitar do espírito de equipa e dos afectos que se desenvolvem no seio da equipa aliados à competição.

A competição em relação ao outro não me seduz minimamente,  aquilo que verdadeiramente me seduz é a vitória resultante de ter lutado por X ou Y objectivo.

Quem me conhece sabe que isto não só é verdade como me retrata…
Para mim esta é a verdadeira realização com felicidade possível…

Talvez por isso consiga renunciar tantas coisas perante outros com a mesma felicidade com que aceito distintos objectivos e talvez também por isso esteja a construir uma estrada da qual me orgulho todos os dias e que é cada vez mais feliz.

Aquilo que nos define é aquilo que nos distingue uns dos outros e nos aproxima a tantos outros…

Em 2017, lidei com muita coisa e decidi em muitos momentos ser observadora do carnaval humano do que propriamente participante.
Aprendi imenso com isso…

Mas nem de apenas bons smashes se faz e se fez a vida.
Errei várias vezes,  magoei outras tantas, vivi momentos felizes e outros difíceis.

Fiz uma recuperação incrível fisicamente que impressionou os que me são mais próximos e da qual me orgulho e que faz justiça a uma citação de Freud que gosto muito: ” um dia quando olharmos para trás veremos que os dias mais bonitos foram aqueles em que lutamos”.

Não foi portanto um ano de floreados tendo sido claramente dos mais difíceis que me recordo.

Encontrei um escape especial que me ajuda a manter em forma, um desporto que acompanhei décadas a fio e que agora faz parte de todas as minhas semanas e assim será no futuro: o ténis!

Não é o Padel da moda nem o Squash dos executivos que é provavelmente o mais desinteressante desporto com raquete que existe e altamente prejudicial para os nossos joelhos.
É o Ténis,  esse desporto desenvolvido dizem pelos Ingleses.

Um desporto que nos ensina a sentir a nossa raquete que será única quando descobrirmos que características são adequadas ao nosso jogo e cada toque da bola na raquete envolvendo o peso do nosso corpo.

Força e direcção num só rumo que é o prazer de ultrapassar a rede e marcar um grande ponto ao adversário que é tantas vezes o colega que aprende connosco o amigo que esquecemos que compete ponto a ponto connosco porque na realidade evolui o seu jogo lado a lado connosco..
Ao contrário dos outros desportos não gosto de jogar a pares porque no Futebol se falho uma bola vou atrás e esfalfo-me para devolver à minha equipa no ténis se falhar não tenho como a devolver, o ponto está perdido para o meu colega de equipa… E para mim!

Não gosto de falhar na vida com os meus,  e quando o faço gosto de resolver o que não foi feito da melhor forma de forma insistente e persistente.
Por isso encaro as dificuldades de 2017 com um sorriso no rosto,  sabendo que as lições foram essenciais para o caminho que vou caminhando e para os dias do futuro.

Os erros são importantes,  quem não erra,  não aprende,  não se supera e não conhece os seus limites,  não entende que comportamentos não se podem repetir.  Quem julga não errar e vive na sua arrogância abdominal, não vive, não ama,  não partilha, não cresce…
E no meio disto tudo foi isso que mais me ficou de 2017: o amor pelos outros e o amor que recebi em distintos momentos e que recordo em flashes de felicidade!

O Amor que norteia os meus dias e sempre me recorda que por mais pontos que saiam fora do court,  o jogo termina sempre em vitória com AMOR.

Não pode existir outro desfecho…
E o AMOR é, apesar de tudo, a minha maior gratidão de tudo o que vivi em 2017 …