Olhar o cuidador!

Sandra Carvalho

Bisturi Cronista


A importância da provisão informal de cuidado em Portugal é conhecida.
No entanto,a vida de quem cuida é desconhecida.

O cuidado informal é um fenómeno bastante complexo, condicionado pelos contextossociais e económicos, as características da pessoa a cuidar e o tipo de relação existente entre quem cuida e quem é cuidado.

Todas estas dimensões determinam os tipos, os modos e os tempos dos cuidados, traduzindo-se em impactos diferenciados na vida de quem cuida.

O cuidador informal representa a base do cuidar no domicílio, pois apesar da pouca visibilidade é ele que assegura a grande parte da assistência a esse nível.

Os motivos que levam as pessoas a serem cuidadores informais são o sentimento de obrigação e solidariedade, os fatores históricos e culturais!

A VERDADEIRA RAZÃO e o simples facto de não existir uma outra opção, o Estado não está a garantir as respostas que deveria dar às famílias e empurra-se para as famílias responsabilidade a obrigatoriedade da prestação de cuidados!

Conhecer as necessidades dos cuidadores informais é fundamental para se reduzir as suas dificuldades. As dificuldades das famílias na prestação de cuidados, relacionam-se com os obstáculos que enfrentam no cuidado e às repercussões da doença nas atividades básicas no domicílio.

Essa situação agrava-se, pela falta de orientações e informações, que podem gerar grande ansiedade.
A ineficácia dos programas públicos de saúde de atenção ao domicílio não só trás graves prejuízos a todo o sistema como também a grande massa de cuidadores.

A ONU estima para os próximos 20 anos, um aumento de 300% nas necessidades em cuidados de saúde da população idosa.

Paralelamente a isso espera-se um aumento acentuado da prevalência de doenças não transmissíveis e de evolução prolongada que deverão reclamar por políticas de saúde que prestigiem mais apoios à assistência domiciliária.

É URGENTE MEDIDAS PARA TERMOS UM SISTEMA SUSTENTAVEL

As condições para a sustentabilidade relacionam -se com a consolidação da resiliência e da robustez dos indivíduos, das comunidades e da sociedade em geral.

Um sistema sustentável será, em primeiro lugar, aquele em que as pessoas serão elas próprias saudáveis e robustas, mais capazes de combater as doenças e as incapacidades, em segundo lugar, nele haverá redes sólidas de cuidados de saúde informais – famílias, vizinhos e comunidades que podem atenuar os encargos que pesam sobre os sistemas públicos, em terceiro lugar, as políticas e as práticas de saúde têm de estar bem integradas nas políticas e práticas dos sectores social e económico, por forma a criar sinergias, reduzir as redundâncias e assegurar uma abordagem equilibrada da qualidade de vida e da despesa pública.

Quando, por exemplo, as estruturas familiares e as redes sociais informais que apoiam familiares idosos entram em ruptura, esse encargo recai sobre o sistema público.

Em contrapartida, quando se criam novas organizações de pessoas com os mesmos problemas, estas podem prestar um apoio diminuindo a ansiedade que pode contribuindo redes de ajuda que ajudam a prevenir os episódios agudos e assim reduzir a necessidade de uma intervenção clínica.

Quem nunca conviveu com situações deste tipo?
Quantos não viremos a precisar também!

TODOS TEMOS UM PAPEL A DESEMPENHAR