PACT(O) de Incoesão!

Luís Nunes dos Santos

Bisturi Embaixador/Cronista


A postura deste (des)governo do Partido Socialista e da frente esquerda para com o interior de Portugal sempre deixou muito a desejar, é sempre uma postura desorientada, sem estratégia para futuro e sobretudo, parece haver um desinteresse no que toca ao desenvolvimento e ao bem-estar social e económico dessa região.

Falar do interior, das necessidades do Alentejo e da coesão do território serve só para ficar bonito nos discursos “miss mundo” desta frente de esquerda, uma vez que pensar o futuro da região ao agir no imediato, com investimentos de coesão estruturais não está no ADN de quem nos governa, ou não fosse este governo e esta esquerda que têm o record do menor investimento público da Democracia Parlamentar Portuguesa.

Um dos exemplos da mediocridade desorientada do PS no interior do país mais propriamente no Alentejo central, é a verborreia propagandista à volta do Hospital Central Eborense, uma vez que dizem ter a intenção, António Costa até já disse que dava umas migalhas, mas o que é facto é que não têm vontade politica. Se tivessem de facto essa vontade que expressam em discursos e moções na Assembleia Municipal de Évora, orçamentavam a obra em sede de orçamento de Estado, que é onde as prioridades dos governos veem discriminadas.

Falar é fácil para eles, agir de forma séria e executar o serviço público é que já é mais difícil.
Mas há mais, uma vez que esta semana se soube que o nosso Primeiro-ministro quer desviar fundos estruturais que vêm da União Europeia, do interior para o litoral, contrariando a definição europeia de coesão territorial, a pergunta que se faz a este governo é:

Quer investir no interior do país para desta forma tentar atenuar os desequilíbrios, construindo assim um território mais justo no que toca às oportunidades e à promoção da competitividade?

A resposta vem quando sabemos que mais de 80% do investimento público vem diretamente dos fundos da União Europeia, e que mais de 1000 milhões estão a ser desviados à socapa pela frente de esquerda do interior onde é tão precisa para o litoral.

Mas a resposta é reforçada quando o mesmo PS que tira dinheiro do interior para o litoral boicota a construção da 2° fase do Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), votando manifestamente contra na Assembleia Municipal de Évora, chumbando o documento que recomendava a dita 2°fase.
Recordo que, com esta tipologia de investimentos, pretende-se fomentar o empreendedorismo direcionado para atividades e setores com fortes dinâmicas de crescimento e intensivos em tecnologia.

De modo particular por via do apoio a “Startups” e “spin-offs”, enquanto veículos privilegiados para a incorporação de tecnologia e de conhecimento no tecido económico regional.

A nova programação de fundos (PORTUGAL 2020), sobretudo através dos Programas Operacionais Regionais, contempla uma tipologia de ação que prevê financiamentos para investimentos em infraestruturas científicas e tecnológicas a efetuar no período 2014-2020, com o grande objetivo de ligar o sistema científico e tecnológico às empresas, ou seja, há 16 milhões para a construção da 2°fase deste projeto tão importante para a nossa região.

Uma coisa é certa, o Partido Socialista demonstra transversalmente desde o Governo, à Assembleia Municipal de Évora coerência, porque é coerente e conivente com o boicote ao desenvolvimento da região do interior alentejano, é coerente quando vota contra um mecanismo que fomenta a coesão territorial, promove o emprego jovem e sobretudo é uma alavanca para os jovens se conseguirem fixar na região.

Digo coerente, porque de facto, o desgoverno reina no Largo do Rato no que toca a agir para futuro.


( Como Plataforma de Cidadania, a Opinião de cada autor é livre e da sua inteira responsabilidade. )