Pokéducação: à caça de emojis!

Mafalda G. Moutinho

Bisturi Colunista


Mudança.
Pensar em mudança é pensar em inovação, fazer diferente para fazer melhor e consequentemente obter resultados mais positivos.
A Educação em Portugal necessita desta mudança.
Como pilar do nosso Estado Social é fácil entendermos e imaginarmos que os trilhos da mudança neste campo, devem ser percorridos com coesão e elevada ponderação, sem alterações abruptas ou radicais visto que no final da equação encontramos pais e filhos, professores e alunos. No fundo encontramos aqueles que são os activos do presente e do futuro da nação.
É pois, com elevada preocupação que o país vê cair por terra o modelo sustentável e gradual que vinha a ser implementado nos últimos anos. Modelo este que auferiu resultados bastante positivos junto dos relatórios da OCDE em matéria de educação.
O novo Ministério da Educação trouxe consigo mudança.
No entanto, mudanças radicais que rompem a sustentabilidade do passado usualmente ou quase sempre fazem-se acompanhar de calamidade.
E é em contexto de calamidade que chegou a público na comunicação social que existem escolas sem recursos para efectuar pagamentos referente aos bens essenciais: água e luz.
É também em contexto de calamidade que foram substituídos exames por provas de aferição e provas de aferição por relatórios, fazendo o ministério “ouvidos moucos” aos demais agentes da Educação em Portugal.
Estas alterações baseiam-se num suposto aumento do apoio ao aluno sem a preocupação das notas.
Portanto a nova avaliação será feita através de emojis, aumentando assim o facilitismo em contexto de educação no país.
Recordo que as provas finais do 4º e 6ºanos de Português e Matemática foram substituídas pelas provas de aferição. Provas essas que já não contavam para a avaliação dos alunos deixando inclusive com a atribuição destes relatórios de atribuir notas. O novo modelo substitui assim as classificações de A a E (sendo o A a nota mais alta) das provas de aferição por estes relatórios.
Com Pokéducação, a polémica dos contratos de associação e a falta de recursos básicos em escolas concluo que a educação em Portugal está de tanga.
É necessário agir e repensar as actuais políticas antes que as consequências destas medidas deixem marcada uma geração inteira, pondo em causa o futuro destes filhos de Portugal e o próprio país.