Políticas de Natalidade: o bom exemplo finlandês

Políticas de Natalidade: O bom exemplo finlandês

As mulheres finlandesas são as mães mais felizes do mundo segundo um estudo recente que despertou a minha curiosidade numa altura em que Portugal enfrenta um grave problema demográfico a 20 anos.

O governo finlandês distribui há 75 anos um kit de maternidade a todas as grávidas do seu país. Esta medida social remonta à década de 1930 e foi projetada para oferecer a todas as crianças finlandesas o mesmo começo de vida independentemente do contexto familiar de cada criança.

O kit contém desde bodies, a um saco-cama, produtos para o banho do bebé, fraldas, roupa de cama, um pequeno colchão, uma caixa de cartão entre outros.

A caixa de cartão é assim a primeira cama dos bebés finlandeses.

As mães podem escolher entre aceitar o kit, ou um valor pecuniário actualmente fixado em 140 euros.

No entanto, 95 por cento das mulheres opta pelo kit, cujo valor é bastante superior.

Esta medida já constitui um ritual de maternidade, unindo gerações de mulheres.

A caixa é assim um símbolo de igualdade e também de valorização da importância do nascimento de crianças naquele país.

As mulheres referem que são bem tratadas, ainda que alguns serviços públicos tenham sido cortados.

Nós por cá perante este paradigma demográfico pouco temos feito a nível de políticas de natalidade.

Não bastará o país recuperar da crise bem como ser gerador de emprego para impulsionar as famílias a terem filhos.

Várias são as pessoas que me contam da falta de acompanhamento durante a gravidez pelo sistema digo nos nossos centros de saúde.

Não falo de um acompanhamento clínico, mas de um acompanhamento ‘Mãe-bebé’.

A mulher de hoje, não é a mulher do passado.

E perante este novo paradigma é necessário refletir que a informação hoje significa segurança e conforto para as pessoas.

As grávidas em muitos casos no nosso país ou são seguidas no privado, ou pagam ‘workshops’ do seu próprio bolso, ou então é muito difícil encontrarem apoio na primeira gravidez para um mundo imenso de dúvidas.

Assim, e numa altura que o enfermeiro assume tantas competências fora do seu âmbito profissional, seria talvez importante não deixarmos as competências bases em saúde.

Que neste caso, é o acompanhamento dos filhos de Portugal!