Portugal sem Medo!

Gonçalo Norton Lages

Bisturi Cronista


Em meados de agosto, em plena tarde de quinta-feira, a europa foi novamente assombrada por um alerta terrorista devido a um hediondo atropelo massivo, em pleno coração da emblemática cidade de Barcelona.

Este foi o atentado mais sangrento em solo espanhol, depois do fatídico 11 de março de 2004, em Madrid.

A furgoneta que serpenteou pelas Ramblas ceifou a vida a 16 pessoas e feriu cerca de 130.

As baixas correspondem a cidadãos de 8 nacionalidades diferentes, sendo que duas dessas pessoas são portuguesas.

O Daesh reivindicou este atentado na Catalunha, um dos importantes focos do jihadismo e radicalização.

O “modus operandi” é característico e o facto de os locais-alvo serem usualmente notáveis cidades europeias, cosmopolitas e de portas abertas ao turismo, deixa em alerta qualquer cidade que respeite o pluralismo e se encaixe neste perfil.

Com estes atentados, o ISIS pretende recuperar força e poder mediáticos, destruindo ainda os valores das sociedades ocidentais.

É evidente que à medida que a organização terrorista perde poder nos seus territórios, intensifica os seus ataques em solo europeu, que se revela vulnerável a estes repentinos massacres.

Desde o início de 2015 há, em média, a cada mês e meio, um atentado terrorista na europa.

Creio que esta guerra assume uma nova dimensão com recurso à internet e às redes sociais.

É por este meio que o Daesh tem recrutado por todo o mundo inúmeros membros, o que torna mais difícil neutralizar as suas conexões, pois exige uma enorme coordenação entre as polícias dos diversos países.

Portugal sabe bem disso e conhece o desejo que o califado do Estado Islâmico tem em recuperar Al Andalus, território que se situava na zona da agora intitulada Península Ibérica, ocupando quase toda a sua extensão.

Julgo que na análise dos atentados terroristas, há que frisar a distinção entre a ação preventiva e a reativa. Neste caso, a ação reativa da força policial da Catalunha foi exemplar.

Foram inquestionavelmente eficazes e bravos, principalmente no encalço dos perpetradores dos crimes, evitando danos maiores.

No entanto, fico com a sensação fundamentada de que se poderia ter feito muito mais na ação preventiva, como o que está a ser feito agora.

Da mesma forma que se verificou em Barcelona, após este ataque, a colocação de barreiras físicas móveis (blocos de betão e pilaretes), em zonas de grande afluência de pessoas, para dificultar o acesso de veículos, também a capital portuguesa adotou medidas similares (blocos New Jersey).

A Polícia de Segurança Pública (PSP) lançou inclusive um guia que sugere três conselhos práticos de atuação em caso de ataque terrorista: fugir, proteger e ligar.

Assim, começa finalmente a ser visível alguma preocupação das autoridades e do poder político em Portugal, relativamente a esta matéria.

A meu ver, a receita de prevenção é simples e consiste em alguns passos.

Deve começar pela identificação dos locais com grande afluência e de carácter simbólico, para estabelecer medidas de carácter permanente.

A par disso, devem ser identificados os eventos ou datas com grande afluência de público, como a manifestação no dia 26 de agosto, em Barcelona, contra o terrorismo. Posteriormente, deve reforçar-se a instalação de medidas passivas de segurança na via pública, como a colocação de barreiras físicas móveis e a criação de vias pedonais adequadas, entre outras, que requerem intervenções urbanísticas específicas.

Considero absolutamente necessário o reforço do policiamento e a instalação de câmaras de vigilância nas zonas nevrálgicas.

Por fim, urge dificultar a aglomeração desordenada de pessoas, facilitar a fluidez de mobilidade, minimizar os espaços enclaustrados e prever mecanismos para garantir a segurança ativa quando necessário.

Um dos eventos que facilmente seria identificado como suscetível de estar debaixo de olho é justamente a ilustre competição Red Bull Air Race (RBAR) – a fórmula 1 do ar – que a cidade do Porto, considerada melhor destino europeu em 2012, 2014 e 2017, recebe este fim-de-semana.

Prevenção e tranquilidade é a mensagem que as entidades envolvidas na segurança do evento procuram transmitir.

Foi desenhado um plano de segurança que envolve 421 elementos da Proteção Civil, sendo que os números da PSP e GNR não foram divulgados.

O INEM, a Autoridade Marítima e a Marinha estarão igualmente bem munidos de meios para dar resposta a eventuais situações.

Não há números confirmados, mas há quem aponte para 1 milhão de pessoas a assistir à corrida.

A segurança e tranquilidade destas pessoas tem de ser uma prioridade.

Temos de definir políticas de liberdade, defesa e segurança, temos de acabar com os oportunismos políticos e trabalhar em benefício daquilo que são os verdadeiros interesses e necessidades dos cidadãos, neste caso, a segurança e liberdade.

Portugal foi recentemente considerado o terceiro país mais pacífico do mundo, subindo duas posições relativamente à classificação do ano transato, num estudo que envolveu 163 países. Esta classificação tem por base indicadores militares, policiais, criminais, entre outros.

Estamos no bom caminho, mas Portugal tem de prevenir agora para não ter de remediar mais tarde.

Queremos um Portugal seguro! Queremos um Portugal sem medo!