Portugal: um país sem défice externo!

Portugal: um país sem défice externo

Sempre que mergulho na crescente onda de emigração que tem assombrado a população portuguesa vejo-a como um índice que espelha a queda socio-económica do nosso país.

Vejo-a como o canhão que expulsa todos aqueles que já não conseguem sobreviver no nosso país ou aqueles cuja formação já não permite edificar os castelos de areia que sonharam para as suas vidas.

Sim, falo de sonhos!

Todos os cidadãos são cidadãos VIP e todos temos o direito de sonhar, o direito de desejar uma vida proactiva, digna e independente.

Perante a esmagadora emigração, sinónimo do baixo PIPS (produto interno para sonhar), consegui encontrar um aspecto positivo na perda das valências lusitanas para outros mundos, para além da promoção da excelência nacional: a eliminação do défice externo.

As remessas de portugueses no estrangeiro atingiram no ano passado o valor mais elevado desde o ano 2001. São mais de 3 mil milhões de euros enviados pelos portugueses para o país.

Historicamente recordamos os tempos difíceis da década de 70 e 80, na qual a emigração atingiu valores históricos, cuja entrada de dinheiro para o país chegou a representar 9% do PIB.

Hoje, assistimos a uma entrada de remessas que ronda 1,8% do PIB.

Ao olhar para estes indicadores e perante o plano das migrações para 2020 estabelecido pelo governo, gosto de sonhar que esta difícil década terá um retrocesso, no entanto também entendo que quem parte, talvez não tenha vontade de regressar.

E inevitavelmente quem retorna, não retorna igual.

Nalguns casos será positivamente, noutros nem tanto. Ainda que um dia quando olharmos para trás, veremos que os dias mais bonitos foram aqueles em que lutámos, em que persistimos, em que sonhámos.