Quanto vale a minha vida!

Quanto vale a minha vida?

A minha vida vale o mesmo que todas as vidas humanas.

A minha vida vale o mesmo que a vida do Obama, da sra. Merkel e de todos os seres humanos.

A minha vida vale a vida da minha mãe e do meu pai, que seguramente hipotecariam tudo o que têm por mim, tal como eu hipotecaria tudo para poder viver.

A minha vida vale tudo tal como a sua, caro(a) leitor(a).

As nossas vidas valem amor, valem pela sua existência universal no planeta que habitamos, valem por tudo aquilo que faz do homem um ser racional e emocional.

Assim, nascemos para viver numa sociedade cooperante na qual exigimos como mínimo, aos que nos governam, o direito à vida, à água e à saúde.

Sim, temos o direito gratuito à saúde numa sociedade para a qual todos produzem, logo todos sem excepção têm direito ao livre acesso destes bens, doutra forma viveríamos anarquicamente.

E é sobre este pressuposto que defendo a equidade no acesso à saúde.

Mas será que todos temos o mesmo acesso aos cuidados de saúde?

O que nos reserva o futuro, num campo que ao longo dos séculos e das décadas caminhou junto do humanismo da Medicina e hoje caminha cada vez mais junto do desumanismo da economia?

Está de facto comprovado cientificamente que a gestão médica é a mais eficiente em contexto de saúde. O know-how da Medicina, aliado a fortes competências de gestão, tem sido bastante bem sucedido nas unidades hospitalares mundiais cuja prioridade é a qualidade dos cuidados de saúde prestados aos pacientes.

Se assim é, pergunto-me porque no nosso Portugal os médicos são cada vez mais isolados não apenas da gestão mas das grandes decisões em saúde?

Será por serem profetas da vida humana?

Por serem missionários humanistas no desempenho da sua profissão? Por não aceitarem uma economia do lucro no contexto das vidas humanas, da dor e da doença?

E é por tudo isto que diariamente assisto com elevada perplexidade nos nossos Media a uma publicidade a uma série de escândalos que envolvem médicos, numa tentativa mascarada e desrespeitosa perante todos estes clínicos.

Perante tudo isto, muitas são as vezes que me questiono onde terminará a nossa sociedade, quando constantemente ataca os seus alicerces.

O ataque aos médicos é um ataque às vidas humanas, o ataque aos professores é um ataque à educação dos nossos filhos.

O maior investimento possível em saúde é a prevenção bem como o estímulo de hábitos saudáveis. E esta esfera começa na sociedade. Começa também na correcta taxação (tão de moda) aos chamados alimentos “proibidos”.

Começa nas nossas casas. A prevenção viaja das casas, para a comunidade para culminar na sociedade.

Claro está que para a economia do lucro, este investimento é um claro inimigo.

Outro grande investimento em saúde e que tem levado à demissão de inúmeros médicos no nosso SNS é a motivação dos nossos profissionais de saúde bem como a sua formação.

Não é pelos cortes salariais nem pela inexistência de pagamento de horas extras que muitos se demitem como vemos nos Media.

Demitem-se pela ausência negligente de recursos nos hospitais.

Com isto a grande preocupação do presente é recaptar estes profissionais, é aliviar a exaustão (burnout) a que estão submetidos, bem como devolver a liderança dos mesmos na tomada de decisões hoje sufocadas por questões administrativas.

A saúde deve ser entregue a quem dela entende, a quem vive o dia a dia da doença e das suas carências.

Outro grande investimento de vida recorda-me o passado.

O passado dos nossos avós, cuja cultura de vida fazia com que mensalmente guardassem parte do seu salário numa caixa.

Uma caixa que se abria sempre que a doença surgia.

Uma caixa que em muitas famílias, significava grande parte das suas economias.

Assim era chamado e remunerado o Sr. Doutor.

É este um passado tão recente e que nos ensina que a vida não tem preço. O preço das nossas vidas vale tudo o que temos.

A saúde não é um mercado, são as nossas vidas.

Não podemos permitir que enquadrem o valor das nossas vidas numa variável numérica.

Não merecemos como seres humanos, nem como seres sociais.