Retrato de um debate: coerência vs. demagogia!

Retrato de um debate: coerência versus demagogia
O tão aguardado debate entre Pedro Passos Coelho e António Costa não foi histórico, mas foi claramente um importante despertar de consciências.

Viajam pelas redes sociais múltiplas opiniões, nas quais muitos dão a vitória a António Costa, tendo como critério a mera análise politiqueira, que confere que o “Rei” dos debates, é aquele que conseguir transmitir a sua mensagem de forma mais apelativa e gracejosa ao seu receptor alvo, no fundo o melhor toureiro na arena.

Este toureiro é aquele que na métrica dos debates utiliza os melhores soundbytes, apresenta-se mais cáustico ao ataque e gracioso na defesa.

Em suma, damos o troféu usualmente ao piadolas, ao demagogo, ao melhor actor na arena.

Confesso que este modelo de retórica teatral é muito interessante, se o tema que o precede não fosse o destino de milhões de pessoas e do país.

O passado recente que trouxe a Troika para Portugal demonstra-nos como a factura sai cara quando preterimos o nosso voto a favor do “Rei da retórica politiqueira”.

A Grécia, deixou recentemente o retrato negro, que o legado da escolha populista e demagoga deixa num país.

Caro leitor(a) voltando à cirurgia do debate de ontem que mobilizou milhares de espectadores vemos que este começa por pecar na forma. O formato televisivo escolhido revelou-se desastroso.

Vimos os três jornalistas lançar novas perguntas sem dar oportunidade a que os temas anteriores fossem devidamente concluídos.

E aqui foi notória a vantagem conferida a António Costa devida à sua experiência televisiva.

Mergulhando no conteúdo do debate: vimos um primeiro-ministro sereno, credível e coerente, perante um António Costa agressivo, que soube pegar em pontos que preocupam os portugueses, mas uma vez mais não aponta soluções para os mesmos.

Ao bom estilo do passado recente socialista, promete facilitismos, mas não diz onde e como vai arranjar financiamento para os mesmos.

Só as medidas que o PS tem previstas no seu plano ultrapassam mais de 600 milhões de euros.

Fiquei verdadeiramente perplexa com esta retórica despesista.

Esperava um António Costa diferente.

No entanto, o eleitoralismo do passado parece continuar a ser a estratégia socialista para vencer eleições e o despesismo a sua forma predilecta de governação.

Quanto a Pedro Passos Coelho, foi coerente, conciso, demonstrando aos portugueses que o esforço destes últimos quatro anos, está agora a colocar o país no caminho do crescimento económico. Portugal é hoje, perante os mercados financeiros um país cada vez mais competitivo e próspero.

Aquilo que devemos refletir, é que nos dias que vivemos necessitamos cada vez mais de políticas e reformas do que de politiqueiros. Precisamos de gente capaz de as pensar, desenvolver e aplicar.

Qual é a equipa que nos oferece este cenário? A coligação? Ou o PS do passado, que se candidata no presente? O PS que nos afundou na austeridade?

Provavelmente estaríamos hoje a dizer que o vencedor de ontem foi Pedro Passos Coelho se ele tivesse falado da bolha de corrupção à volta da anterior governação socialista, se tivesse relembrado os Portugueses da forma como António Costa correu com um camarada seu da liderança do PS, não olhando a meios para atingir os fins.

E podemos estar seguros que se o debate de ontem tivesse sido entre Seguro e Passos Coelho, teríamos tido em destaque a discussão das políticas que o país necessita realizar para resolver os problemas que enfrentamos no presente, ainda que dificilmente o PS nesse molde apresentasse soluções brilhantes já que não o fez quando o dito dirigente foi líder da oposição.

Teria também sido bastante eficaz na métrica do debate para Passos Coelho fazer uma referência humorística ao recente escândalo dos cartazes do PS.

Ao invés, Pedro Passos Coelho apresentou-se ao país como Primeiro-Ministro.

O Primeiro-Ministro da serenidade, da coerência, da credibilidade, do futuro.

Mas afinal, quem ganhou o debate?

A minha certeza é que o “Rei” do debate, não é o mesmo Rei que vencerá as eleições.

A nossa história, conta-nos que as nossas grandes conquistas sempre foram edificadas por guerreiros pacíficos, profundamente trabalhadores.

Dos descobrimentos aquém e além mar, até ao futuro incógnito, saibamos votar naquele que nos transmite trabalho, sacrifícios, e resultados.

É desta equação que o país e as nossas bocas vivem!