Ser mulher num mundo de homens!

Ser mulher num mundo de homens!

“O homem é definido como um ser humano; a mulher é definida como fêmea. Quando ela se comporta como um ser humano é acusada de imitar o macho.” [Simone de Beauvoir]

Caro leitor(a),

Hoje escrevo-lhe sobre mim, sobre a sua mãe, irmã, sobre si ou sobre a sua esposa.

Hoje escrevo sobre mulheres!

Sempre pensei que o caminho feminista não encaixava na minha forma de viver a vida por considerar-me igual ao meu pai, ao meu irmão e a todos os seres humanos.

No entanto, sou desafiada pela vida e pelo mundo a olhar para a realidade na qual me insiro: sou uma mulher num mundo de homens.

Sem radicalismos, não fiquei surpreendida com a notícia recente, na qual um jornal judeu apagou todas as mulheres da marcha dos líderes em Paris.

Sei que no nosso mundo, do Islão aos judeus Haredi, a mulher é uma peça de mobiliário na sociedade, na qual em público está sempre tapada e calada.

É chocante, doentio e revoltante pensar nesse mundo tão diferente do meu Ocidental mas tão meu como ser humano.

Mas mais revoltante ainda é percepcionar que no meu mundo Ocidental as mulheres continuam a ser isso mesmo: mulheres num mundo de homens.

Neste mundo não existem roupas negras a tapar-nos mas existem quotas para “existirmos” em sociedade.

Quotas que se por um lado nos insultam por outro são estritamente necessárias, sem as mesmas as fotografias do presente seriam como as do jornal judeu: sem mulheres.

Várias são as vezes que comento este tema.

E do lado masculino oiço sempre a mesma pergunta: E o mérito Mafalda?

Devem as mulheres ocupar esses lugares directivos só porque são mulheres?

Será justo na União Europeia existirem critérios de desempate no acesso a fundos europeus pela presença de mulheres em cargos directivos?

Claro que devem. Quando o caminho do mérito não caminha em conjunto com a igualdade de género a solução é encontrar metas que o permitam.

Entendo que para quem é inato ocupar seja o que for, seja difícil compreender que para a mulher o dito “cargo” é ocupado com muito trabalho, esforço e com uma premissa constante de desafio: provar que não só é capaz de fazer igual, como ainda consegue fazer um trabalho melhor.

E é desta forma que a mulher acede minoritariamente a estes cargos.

Porque demonstra ser inequivocamente melhor.

Doutra forma, os cargos e os lugares ficam para os inatos, homens!

E foi dentro desta reflexão social de desigualdade de género que encontrei o movimento Heforshe, lançado pela actriz Emma Watson.

É um movimento solidário pela igualdade de género no qual me revejo não só como mulher mas como ser humano.

Em Portugal, e para sorte de nós mulheres portuguesas surgiu a Maria Capaz.

A Maria Capaz, em apenas um mês, reuniu mais de 50 000 seguidores nas redes sociais, o que demonstra a necessidade de espaços de afirmação da mulher e da condição feminina na sociedade civil.

Podemos encontrar entrevistas, crónicas, ensaios fotográficos e histórias reais da vida de mulheres anónimas e conhecidas da opinião pública.

O mote lançado por Rita Ferro Rodrigues e Iva Domingues é simples.

Todos temos Maria no nome.

E todas temos Capaz na certidão de nascimento.

No fundo, todas somos mulheres que pensamos e sentimos o mundo como um mundo de mulheres num mundo de Homens e de Mulheres!