Silly Season!

Silly Season!
‘Silly Season’ é um termo que nasceu em 1861, num artigo da Saturday Review, permanecendo até aos dias de hoje.

Este termo induz para o período que engloba os meses de Verão, no qual grande parte da comunicação social sufoca em busca de novas notícias, novos escândalos, numa temporada em que a política está adormecida e a banhos tal como toda a sociedade civil.

Ainda assim, o Verão azul de este ano promete a Silly Season mais curta dos últimos anos e de fácil ‘adivinhação’.

Se durante o Verão de 2014 assistimos ao naufrágio do BES, este ano mergulhamos em plena campanha eleitoral pré-legislativas.

Assim, as ondas noticiosas oscilarão entre o estabelecimento prisional de Évora, continuando a borbulhar aos pés de Ricardo Salgado, que actualmente carrega uma pulseira, ainda que sem diamantes.

Assistiremos ainda à ressurreição natural do ‘caso Tecnoforma’, numa altura particularmente sufocante para António Costa.

Com todos os cartuchos políticos gastos, com um PS fragmentado, com a ausência de um projecto sólido, inovador e, acima de tudo, credível para o crescimento sustentável do país, só com um grande milagre saíra vencedor das eleições. Será portanto natural que baseie a sede ambiciosa de poder pela qual calcou de todas as formas o seu camarada António José Seguro numa política de ataque pessoal a Pedro Passos Coelho.

Mas e como estamos em plena Silly Season será natural assistirmos nas bancadas de nossas casas ao topless dos ‘perfis’ pessoais dos candidatos a deputados à próxima legislatura. Sem esquecer a natural crucificação de cada jovem nome que apareça nas supracitadas listas dos partidos.

Sim, falo daqueles jovens que gostamos de atirar automaticamente à lama apelidando de ‘boys’. E que pelo meio brilham em comissões como a do BES, saindo em revistas internacionais. Sim, não será natural praguejar apelidos consoante a cor partidária, esquecendo que todos estes jovens são novas gerações. Aquelas mesmas gerações que quando nos dá jeito dizemos que são o futuro do país.

Seja Silly ou não, a forma como vemos a política parece não mudar. Preferimos praguejar, crucificar sem nunca contribuir para a reflexão pública e real dos problemas do país e da Sociedade.

Somos o cão que ladra mas que nem deseja morder.

A pobre Silly Season falaciosa e especulativa parece viver nas nossas artérias levando-nos a um tromboembolismo do qual nunca nos curamos.

Somos Mestres na arte do queixume.

Será que o nosso fado algum dia mudará?