Um C a ter em conta: ciudadanos!

Em Espanha, o partido dirigido por Albert Rivera atingiu um resultado histórico, provavelmente o mais pronunciado nas eleições municipais espanholas.

Concorrendo apenas com mil listas, um número bastante reduzido face aos outros partidos, o Ciudadanos elegeu 1500 vereadores, 78 deputados regionais, marcando a sua presença em todas as províncias espanholas, incluindo as cidades autónomas e mais de 50 municípios.

Tudo isto sem coligações e acordos com outros partidos, em oposição às restantes forças políticas.

Rivera sonha com uma classe média forte e trabalhadora, em que a justiça está nas mãos dos juízes e não dos políticos e em que a educação seja um investimento e não uma despesa.

Não será o que todos desejamos?

O que acho peculiar no Ciudadanos é uma grande maioria de líderes jovens, quadros jovens, com força e entusiasmo para levantar um país.

Não é difícil entender o fenómeno ciudadanos, claramente oposto ao Podemos de Iglesias, que a meu ver saiu claramente derrotado ontem. Enquanto que o ciudadanos triplicou o seu resultado nas Europeias, o Podemos fica muito longe do preconizado por Iglesias nos últimos meses, assegurando uma série de lugares apenas em coligação. Sim, coligação. Voltando uns meses atrás, em época de eleição do Syriza na Grécia, recordamos Pablo Iglesias totalmente indisponível para acordos seja com quem for.

Nas eleições legislativas espanholas, imagino uma derrota histórica para este Podemos syrizista descredibilizado pela Espanha fora.

Quanto ao ciudadanos, prevejo um futuro luminoso, com um sensato e crescente crescimento sem o domínio da sede de poder manifesta no Podemos espanhol.

Devemos olhar para os resultados do país vizinho e refletir, profundamente, nas mudanças que se avizinham na próxima década. A democracia está exausta e se o povo não assistir a verdadeiras mudanças, o fogo de alguns movimentos cidadãos poderá inflamar e mudar o cenário político que conhecemos.

  1. “Quando escrita em chinês a palavra crise compõe-se por dois caracteres: um representa perigo, o outro oportunidade”. [John F. Kennedy]