Um direito humano: morrer sem dor !

A Medicina, ao longo dos séculos, tem desafiado a vida prolongando o tempo que vivemos. Criou assim um novo paradigma: os problemas de saúde associados a uma população envelhecida bem como à doença prolongada, incurável e progressiva.

Para combater esta problemática, surgiram os cuidados paliativos.

Por esta razão existe uma necessidade crucial no investimento dos mesmos, sendo um investimento de vida preservar a dignidade do ser humano até ao fim da sua vida.

A reforma do Sistema Nacional de Saúde refere este investimento, assumindo que a rede actual de cuidados paliativos é parca e não abrange toda a população.

Perante esta temática, a França legislou uma lei que abre a porta à possibilidade de dormir antes de morrer, ou seja legisla aquilo que é e já existe: a sedação paliativa.

Com esta nova legislação, garante como direito universal de todo o cidadão, o acesso a uma morte sem sofrimento.

A sedação paliativa faz parte dos cuidados paliativos, é realizada no nosso país, mas sendo a rede destes cuidados parca, não chega a todos.

Antes de pensarmos a eutanásia, que tem sido tão discutida na opinião pública ao longo dos últimos anos, devemos refletir a necessidade de ampliar esta rede de cuidados paliativos.

Da mesma forma que não nos cabe a nós escolher o nosso nascimento, talvez não caiba na nossa opção escolher a hora em que morremos, no entanto é certo que todos merecemos um final de vida sem dor, sem sofrimento: uma morte ‘digna’.

“A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos”.