Abril, Novembro, Constituição e Democracia

Luís Nunes dos Santos 

Bisturi Cronista


Passa neste ano de 2019, 45 anos do dia 25 de Abril de 1974, portanto vamos refletir um bocado sobre o que Abril nos deu, quais as suas conquistas e consequências para o mundo português, e por fim, refletir sobre o seu legado, tendo presente que não há Abril sem Novembro e não há liberdade sem democracia e constituição.

Como jovem nascido na década de 90 do século passado já não vivi Abril nem os anos “quentes” que se seguiram, no entanto, por ter nascido no centro alentejano sempre foi um tema atual.

Todos nós sabemos que as forças da esquerda desde a dita reforma agrária dominam politicamente boa parte da região, à primeira vista para quem no Alentejo nasce, parece que abril e os seus valores são só de alguns, mas não é verdade.

Não há forcas políticas que dominam os valores da liberdade, democracia ou equidade entre cidadãos.
Se há quem ainda hoje assim pense, então não são diferentes dos apoiantes mais externos do antigo regime, e é pena porque liberdade rima com democracia e democracia tem sempre que rimar com educação, bom senso e com o imperativo categórico da razão e da verdade.

Por isso é preciso vincar todos os dias que Abril foi o mês que abriu espaço à liberdade, mas que falhou no momento seguinte em conquistar a democracia que veio com Novembro e foi firmada na Constituição de 1976 da nossa Republica Portuguesa.

A conquista da liberdade a da democracia foi um dos momentos mais importantes da história rica dos quase 900 anos de Portugal.

Destaco dois legados desses tempos: a liberdade de expressão e opinião e a liberdade de voto.
O primeiro destaco neste 45º  aniversário porque o vejo constantemente ameaçado, nos dias de hoje existe uma espécie de corrente moral que escolhe por nós aquilo que se pode ou se deve dizer, por outro lado a fakenews tornaram-se um problema sério, é preciso criar uma liberdade plena de opinião e de informação e combater as fake news é primordial no nosso contexto, as mentiras não podem ditar decisões que mudam a vida de milhões de pessoas.

Em relação ao voto queria apelar para que os cidadãos de hoje em especial os jovens não se esqueçam o que custou conseguir que uma pessoa vale-se 1 voto, por essa talvez tenha sido a maior revolução que aconteceu no nosso país desde o 1 de Dezembro de 1640.
Não é admissível que Portugal tenha percentagens de voto nas Europeias dos jovens entre 18-24 anos de 19%. O Voto é uma conquista, mas acima de tudo há uma mudança e uma voz em cada voto, todos contam para indicar o futuro de Portugal.

Refletir Abril, Novembro, Soares ou Sá Carneiro é olhar para os seus legados inestimáveis a pátria e entender o que podemos fazer com eles nos dias de hoje.
Eu sou um reformista, acredito que se pode mudar uma sociedade através de reformas estruturais que vão de encontra aos anseios das pessoas, e o conceito de Abril tem que ser adaptado para servir os interesses da nossa nação portuguesa.

Os cidadãos que são herdeiros dos ideais de Abril e Novembro, veem hoje o Estado a falhar nas funções mais básicas, sente até que o que contribuem com os seus impostos é inversamente proporcional aquilo que recebem deste.

Não é admissível as falhas sucessivas na saúde, nos transportes, na coesão de um território relativamente pequeno, mas cheio de assimetrias.
Não é admissível um Estado que não tem respostas para os jovens, o salário médio que um jovem aufere por mês não lhe chega para viver, estamos a criar um geração de diplomados que necessitam dos seus pais aos 30 e tal anos para que não vivam na pobreza.

As dificuldades com que os portugueses hoje se deparam não são admissíveis, reformas devem ser feitas, novos modelos devem ser pensados!

Os portugueses estão em primeiro e merecem um Estado que é  equilibrado, sustentável, responsável, que pensa nas gerações futuras, sendo, portanto, solidário entre as várias gerações, que tem como princípio básico a economia social de mercado que funde o mercado livre e iniciativa privada com a equidade social, organizando o sistema para uma melhor distribuição de recursos entre a sociedade, agregador e respeitador das características e iniciativas individuais, um Estado tolerante, plural, solidário e inclusivo, um Estado que reforme a segurança social e que, portanto, garanta para futuro os direitos básicos e fundamentais dos portugueses.

Um Estado que saiba ter os serviços públicos em funcionamento adequado, com uma saúde eficiente e capaz, uma educação livre e exigente, e uma garantia séria de defesa do território e dos cidadãos portugueses.

Só assim fazemos valer o legado dos portugueses que lutaram para nós hoje termos o nosso presente e temos que ter presente que nós temos que cuidar do futuro dos vindouros.

Portugal é o nosso passado, o nosso presente e tem que ser o nosso futuro, vamos construi-lo.