Carta aos Jovens contra a geração “pega-sofás”!

Ana Regina Ramos

Bisturi Cronista


A ti, que és jovem,

A ti, que passas grande parte do dia (e noite) na internet,

Muitas vezes te dizem que és o futuro e que deves ter atenção nos teus passos de hoje que serão grandes decisões amanhã. É verdade. Mas, afinal, o que isso significa, na realidade? Não passará de um clichê que os mais velhos gostam de dizer?

Também sou uma jovem, também “desligo”, muitas vezes, com esse tipo de discursos porque, geralmente, gostamos é de aproveitar o agora. Mas experimenta parar por dois minutos de fazer scroll nas redes sociais ou de escrever a tua tese de final de curso e pensa: Imagina que vives num prédio com os teus pais e irmãos (se tiveres) e que o morador do último andar é o “dono do edifício” e controla tudo. De cinco em cinco meses há uma votação entre todos os moradores para eleger o próximo “dono” e toda a gente com mais de 18 anos pode fazê-lo. Gostarias de participar nessa eleição ou deixarias que outras pessoas o fizessem por ti, sabendo que todas as decisões que o eleito tomasse te iriam afetar diretamente? Preferias ficar no sofá enquanto a tua vida diária, sossego, valores a pagar no final do mês, etc., estariam em causa?

Acho que aqui a resposta era fácil (ou, se calhar, para muitos, até não!). Mas este tipo de eleições a nível local, nacional e europeu não tem uma visão tão simples.

A 26 de maio escolhem-se os próximos 21 deputados portugueses com assento no Parlamento Europeu. As últimas eleições, em 2014, dão conta de 66,2% de abstenção em Portugal, segundo dados da Pordata. Ou seja, mais de metade da população portuguesa não se deu ao trabalho de “levantar o rabinho do sofá” e deslocar-se até às urnas. Uns por ignorarem a questão, outros por protesto e outros por simplesmente não saberem do que se trata.

É certo que vivemos numa sociedade que muito se queixa, mas sentada, de preferência, em frente ao ecrã de um computador ou telemóvel, a comer umas bolachinhas de aveia, porque “dizem que não engorda”. A sociedade que eu chamo de “pega-sofás”, lembrando o mítico brinquedo que tanto irritava e enojava as nossas mães, os pega-monstros.

Ouvimos a geração mais velha que a nossa a dizer que o país está mal e que os políticos são todos iguais – é verdade, ou não é? Cresci a ouvir a sociedade dizer isso e achava a política uma verdadeira seca. Depois, passei para a fase de achar que o que interessa aos políticos é mostrar, mentir e também “passar a mão pelo pelo” das pessoas, esboçando aquele sorriso que não cria rugas nos olhos e é perfeito para fotografias. Mas, com o passar dos anos e com aquilo que vou aprendendo ao ser jornalista, também percebi, não que o que pensava era errado, mas sim que todas as generalizações são más e que não adianta criticar se não procuramos soluções. Não ficam irritados quando fazem algum tipo de trabalho em grupo e alguém critica algum ponto minucioso, sabendo vocês que essa pessoa não faria melhor? Não vos apetece dizer: Vem tu fazer melhor?

Pois bem, na política, o primeiro passo para soluções melhores está no voto. Mas um voto consciente. Não é tão satisfatório aprendermos coisas novas? Se não conhecem os partidos e quem dá a cara por eles, está tudo disponível na internet, às vezes, sem sequer precisarmos de pesquisar (não é incrível?) – esta que é a vossa ferramenta diária de lazer e também de trabalho para muitos – e até nos entra em casa através da televisão.

Quantas vezes já não pensaram que “o mundo é mesmo pequeno” por encontrarem alguém que achavam estar tão distante de vocês? O mundo é a nossa casa, não temos outra (que se saiba até ao momento), por isso, ao votarmos com consciência quer agora, quer em futuras eleições até para a câmara municipal de onde moramos, estamos só a cuidar dele e a facilitar a nossa vida.

Quando Neil Armstrong pisou, pela primeira vez, a Lua foi dito: “Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade”. Aqui aplica-se o mesmo princípio, basta uma pequena cruz no boletim de voto, para mudar a vida de uma sociedade.