Entrevista a Marco Gil, Cronista Bisturi 2018 | Por Mafalda G. Moutinho

Entrevista a Marco Gil, Eleito pelos nossos leitores, Cronista Bisturi 2018 |Por Mafalda G. Moutinho

Local: Lisboa

Música de fundo (escolha de Marco Gil) : “Ben” de Rubel


Mafalda: Marco, para quem não te conhece, como te descreverias?

Marco:

— Divertido em primeiro lugar para depois ser tudo o resto. Gosto de fazer rir as pessoas, por vezes de as chocar e na maioria das vezes de mexer com elas. Sou no fundo um intervalo para as pessoas que me rodeiam.

Bem disposto mas ansioso, demasiado ansioso, muito ansioso, irreverente mas receoso. Acho que sou perspicaz e tento ser inteligente (sem falsas modéstias).

Sonhador, coloco sonhos em tudo, até numa lata de sardinhas.

Sou preocupado, atento mas completamente desastrado e despistado. Gosto de conversar, muito mais de conversar do que de falar, por ser bom e raro.

Podia comer arroz todos os dias e gosto de geografia ao ponto de saber a maior parte das capitais do mundo.

Gosto da natureza, do chilrear dos pássaros, do amarelo, de mãos e de silêncio depois da agitação. Gosto de serões longos e quentes, de pouca roupa, de camisas xadrez e de pensar.

Estou sempre a pensar em mil e uma coisas ao mesmo tempo, nunca me concentro a não ser que pegue numa câmara fotográfica e é nessa altura que dispo a ansiedade absorvendo cada detalhe que me passe pela alma e só depois pelo olhar.

Sou um bom amigo, um bom filho e se puder ser o centro das atenções não viro cara a isso, uns dizem que é por eu ser Leão, outros dizem que é por ser o Marco Gil. Eu acho que é porque tem que ser. Gosto de plateias mesmo que isso possa muitas vezes parecer egocêntrico (e se calhar é). Apesar disso não sou lá muito seguro de mim.

Gosto de fotografar e escrever e parece-me que é aquilo que sei fazer melhor, não acredito em talento, porque não sei explicar isto. A escrita é uma terapia, as palavras saem e eu nem dou conta disso, de tal forma que muitas vezes no final quando releio, penso: “Mas eu escrevi mesmo isto?”.

A fotografia é paixão, dedicação, tudo terminado de “ão” para cima.

Sou muito sociável e por mim passava a vida a conhecer pessoas mas não gosto de me desiludir com elas, porque acredito nas pessoas. Gosto de crianças e de idosos. Gosto de abraços e de os dar: um abraço é meio caminho para o amor.

Esqueço-me das coisas más com facilidade, não tenho rancores nem orgulho.

Gosto dos meus amigos, gosto de lhes dizer isso muitas vezes e gosto que gostem de mim, muito. Não me importo de perder para ver os outros ganhar, já fiz isso várias vezes. Gosto de pessoas felizes. Sou doido pelo Benfica e pelo método que coloco nas minhas coisas: sou organizado. 

Tenho uma péssima memória (decidi comprar uma agenda pela primeira vez) e gosto de pensar que tenho um bom coração. Mas termino como comecei, sempre e para sempre: divertido. 

Se calhar vá, sou um rapaz que “sim senhor”.

Mafalda: Foste eleito Cronista Bisturi 2018. Podes nos contar como começaste a escrever e com que idade? 

Marco:

— Penso muitas vezes nisso e nunca consegui chegar a nenhuma certeza.

Lembro-me de ser fácil para mim escrever qualquer coisa e no outro dia andei às voltas na casa da minha Avó (foi lá que passei a minha infância) e encontrei uma data de blocos de notas com coisas que  escrevia, desde endereços do resto da família a parvoíces e só agora tenho noção dessa envolvência com a escrita.

Gostava de ler e de reescrever o que lia, mas já não leio tanto e muita gente até fica admirada quando digo isto, porque uma boa leitura é preparação para qualquer escrita, mas eu não me consigo concentrar com facilidade, nem a ler. Só a escrever.

Depois eu sou de letras, estudei Português e Espanhol na faculdade, embora isso às vezes não seja muito lúcido em mim, mas tive sempre uma grande ligação com a escrita sem dar conta desse facto.

Mas a sério acho que aconteceu por eu gostar de fazer uma coisa particular: estar sentado em determinados sítios a olhar para pessoas e a imaginá-las na vida delas, construo-lhes uma vida na minha imaginação, posso estar horas nisto e não me canso, sei que pareço doido mas para mim é fascinante.

Lembro-me de há dias estar no metro e quando dei por mim estava na outra ponta da cidade e não tinha saído onde devia sair e nesses largos minutos já tinha estado a cortar a relva com um canadiano, a estender roupa com uma senhora que eu achava que vinha da lavandaria e terminei a relação de um casal francês: — tudo isto na minha imaginação e sem sair do mesmo sitio.

Isto para te dizer que viver mundos paralelos ao meu da forma mais criativa que encontro pode resultar bem na escrita.
E a certa altura, uma amiga da faculdade, a Vanessa uma Transmontana, há uns 6 anos atrás disse-me: — Oh Marco, as tuas fotografias eram capaz de ficar bem com as histórias que nos contas, já pensaste nisso?”

Eu nunca tinha pensado, mas mal cheguei a casa tratei de o experimentar e dura até hoje.
Depois é que surgiram as crónicas e os artigos de opinião.

Mafalda: O que te leva a fazê-lo?

Marco:

Mexer e emocionar as pessoas, ir direto ao coração.

Um dos melhores elogios que tive foi: “Marco tu consegues fazer cateterismo diretamente na aorta” e aquilo foi das melhores coisas que já me disseram.

É por isso que a maior parte do que escrevo são temas emotivos, fortes, comuns a muitos de nós mas que levem emoção às pessoas.

Acho que isso é até um dever meu, ser polémico é estar vivo, mas emocionar as pessoas pode dar para duas vidas, é o oxigénio que me dá alento para as crónicas seguintes.
Eu preciso de saber que mexo com as pessoas, que foi tocante e certeiro. Pode ser mau ou bom, mas tem que mexer com elas.

Mafalda: Quais são os temas que mais mexem contigo?

Marco:

Parte da resposta está na pergunta anterior.

Não gosto de escrever sobre actualidade, a não ser que o assunto me toque bastante. Não escrevo sobre política e mesmo que pesquise sobre isso vou continuar sem o fazer. A escrita sai-me do coração e é levada pelo meu estado de alma.

Já contei isto inúmeras vezes: eu preciso de estar muito feliz ou muito triste para escrever a sério, se estiver num destes dois estados, não há nada mas mesmo nada que me segure a escrita, nem o tempo. Mas não posso escrever quando estou morno, porque não sai, ou sai mas não é como eu quero, ou melhor, não é como eu sinto. Porque eu escrevo o que sinto, se não acontecer, não consigo.

Escrevo sobre amor, nem que tenha que o fazer por mil vezes, abraços, sobre os sentidos, amizade, sons, saudade etc. 

Se reparares as pessoas são sempre o elo de ligação aos temas que escrevo. É sobre todos nós que gosto de escrever e sobre os sentimentos que nos envolvem a todos.

Gosto de escrever sobre pessoas, de trazer finais felizes, coisas marcantes. De reler um texto que me saiu no momento mais puro do coração e nem perceber como escrevi aquele encadeamento de palavras e emoções.

Gosto de escrever os meus amigos e já os escrevi a todos (os mais chegados, primo e irmão), não é descrevê-los, é escrevê-los que é muito mais importante, porque não lhes traço apenas o perfil e a personalidade mas traço-lhes amor.

Mafalda: Em que locais podemos encontrar o Marco com uma caneta na mão a descrever o mundo e as relações humanas?

Marco:

— Sabes que eu escrevo de noite, sempre de noite. Não tenho uma crónica escrita à luz do dia até ao dia de hoje. Nunca me concentro (com exceção à fotografia sou muito despistado) e então de madrugada acho que o mundo faz uma pausa e estou ali sozinho, entre ele, as palavras e o meu coração ou um música que escolho naquele momento, ou então opto pelo silêncio e por isso não é fácil verem-me escrever.

Mas tive um Professor de História na faculdade, que voltei a encontrar uns anos depois num autocarro e olhou para mim quando eu vinha a entrar, levantou-se (o autocarro cheio) e disse-me:

— “Olhem só quem lá vem. (põe-me o braço no ombro) Marco, eu sabia que você era um mau aluno mas um escritor brilhante. Nunca me enganou. Leio tudo o que escreve, continue a fazê-lo porque o mundo precisa da sua escrita”. (atenção que não estou a exagerar, há um autocarro inteiro para provar isto).

Embora ache que o homem exagerou.
Convidou-me para me sentar ao pé dele e tirou um bloco de notas do bolso e disse-me: “Mas ande sempre com uma coisa destas no bolso”.

E a partir daquele dia, posso esquecer-me das calças em casa, mas nunca de um bloco de notas e então podem ver-me a apontar algumas coisas que escrevo. Coisas com que me cruzo e não quero esquecer-me. Mas só isso, porque a minha escrita não é uma escrita de pesquisa, é documentada mas da imaginação, eu não vou ver nada a meio de qualquer crónica, Eu começo a escrever e termino sem recorrer a mais nada, nem a blocos de notas, nem Google, nada, por isso é que digo que sinto a escrita.

Mafalda: Em que sítios é que podemos ver as Crónicas do Marco Gil, publicadas?

Marco:

— No P3 do Público, no Observador, no meu blog ou site e nas minhas redes sociais.

Mafalda: És conhecido nas redes sociais tendo aliás milhares de seguidores e seguidoras pelas histórias com que legendas as tuas fotografias. Quando começaste a contar estas histórias pintadas com fotografias e o que te levou a fazê-lo?

Marco:

— Acho que te respondi a esta pergunta sem querer lá em cima. Estive a ver o Daniel Oliveira esta tarde de forma a treinar-me para isto e realmente é como eles dizem, uma pessoa começa a escrever/falar e não dá conta. 

Espero que não termines com a pergunta dos olhos. Olha que eu sou míope.

Mafalda: És Fotógrafo Profissional. Sempre te imaginaste por trás de uma câmara? Quais eram os sonhos do Marco, criança e adolescente?

Marco:

— Nunca. Há uns anos o meu irmão foi para o Algarve e deixou a câmara dele comigo e sem querer eu já só queria fotografar e depois fotografar mais e por fim tudo o que via era uma fotografia.

De repente já não conseguia fugir disto, não foi um vício para a vida foi o vicio que me deu uma vida.

Em relação as sonhos, eu sou um rapaz da aldeia, gostava de ver o Tom Sawyer e viver no mundo dele, (talvez comeces a perceber logo aqui a parte da ausência de roupa).

Contentava-me com os grilos à noite ou a ver os jogos sem fronteiras. Acho que nunca quis ser nenhum super herói, só queria o rio do Tom Sawyer e aqueles campos enormes só para mim e para os meus.

Chegava-me ouvir as vozes que me eram familiares, o assobio do meu avô, um grito da minha mãe, a minha avó a chamar pelo meu irmão ou pelos meus primos, o som dos sapatos do meu pai a chegar e adormecer assim, feliz. Sabendo que ao outro dia os voltaria a ouvir. É por isso que se fechar os olhos agora oiço todos estes sons, as vozes deles e a minha memória vai de imediato para aqueles dias felizes, com os sonhos por perto.

Com a maior honestidade do mundo, eu nunca tive game boys, consolas, nada disso, nem computador, o meu sonho era que aquilo durasse para sempre.

E lembro-me bem de o desejar em garoto e de temer por não acontecer. Não queria ser nada do outro mundo, queria ser eu, com a minha familia a ser feliz por mais um dia. Isto parece utópico mas é rigorosamente real.

Nunca quis ser nem médico, nem bombeiro ou futebolista. Queria o rio do Tom Sawyer, um barco de madeira, uma casa com alpendre, o radio a tocar e a falar do tempo e se baixasse o volume poder ouvir todos os sons e as vozes da pessoas que mais gostava e que fosse para sempre.

Era com isto que sonhava…

Mafalda: Vives actualmente em Lisboa, mas és um homem da Serra. O que te levou a trocar a Serra pela cidade?

Marco:

— A ambição pela escrita, pela fotografia numa escala maior que a tenho. Foi rigorosamente por isto. Poder escrever mais vezes para outros locais.

Caramba, gostava de ter uma coluna na Visão e aqui tenho mais probabilidades que uma coisa dessas me aconteça ou ser repórter de um jornal, documentar a historia de uma guerra ou algo do género em fotografias.

Trazer as vidas que ficam ou as que vão podendo assim chegar ao mundo todo. É difícil mas tenho mais probabilidade de o fazer a partir daqui. E também pela experiência, adoro Lisboa e o ambiente. Tem luz, pessoas e vida. Tem multiculturalismo! 

Está a ser tudo intenso e rápido e de vez em quando tenho que ir à Aldeia equilibrar as coisas mas vai correr bem. Gosto muito da aldeia e orgulho-me disso, acho que todos os dias o refiro, gosto de o dizer às pessoas novas com quem me cruzo, partilhar-lhes as minhas origens, falar-lhe das estrelas que só se conseguem ver assim no céu debaixo das minhas montanhas. Dizer-lhes onde é a minha Aldeia e como é. Nem imaginas o entusiasmo com que o faço mesmo quando não perguntam nada.

As minhas raízes são de facto quem eu sou e reparo cada vez mais nisso.
Mas estou a gostar muito de viver em Lisboa.

Mafalda: Tens mais inspiração na aldeia ou em Lisboa?

Marco:

— Não tenho qualquer hesitação nesta pergunta, a Aldeia dá-me muito mais inspiração. Preciso de silêncio, de estar sossegado. Eu gosto muito de escrever na aldeia depois de um dia calmo, com a cabeça limpa, silêncio e tempo.

Lisboa dá-me muita coisa mas rouba-me o tempo e eu sem tempo não consigo escrever bem e eu não quero escrever se não escrever bem.

Desde que cheguei a Lisboa ainda não escrevi e isso é logo ponto assente para eu saber o que me dá inspiração. Contudo eu estou a dar o tempo devido para que isso aconteça, aceitar a transição, perceber os percalços, compreender que não é fácil nesta altura e esperar por dias melhores, esperar pelos dias que o mundo volta a fazer uma pausa à noite e eu me debruço entre ele, o coração e uma pagina de word.

Não espero por inspiração, estou a fazer com que ela se possa proporcionar e para isso estou a dar tréguas às barreiras que a cidade me trouxe neste sentido, com a agitação e os dias a parecerem muito mais pequenos, com o tempo que me rouba. Mas sei que quando isto começar a sair, não vai ser fácil de conter e pode ser tremendo.

Mafalda: Muitas pessoas perguntam-te nas redes sociais, quando publicas o teu primeiro livro? Tens em mente avançar do Marco Fotógrafo, Cronista e Contador de Histórias para o Marco Fotógrafo, Cronista e Escritor? 

Marco:

— Gostava muito. Já existiram editoras a sugerir-me isso, mas beneficiaria pouco nos termos que eles o queriam fazer. A não ser que o livro tivesse um sucesso estrondo e eu tivesse dinheiro.

Os meus amigos aconselham-me a fazer um crowdfunding que me ajudava a financiar o livro, uma vez que não tenho meios para o fazer e há imensa gente que gosta de me ler.

Era como se me comprasses o livro antecipadamente, eu com esse dinheiro publicava o livro e quando impresso eu entregava o livro a quem já o teria pago. Ou então 1 euro por cada pessoa que me segue a sério nas redes socias. E eles insistem nisto, mas sabes que eu acredito muito nas pessoas, mas cada vez menos na boa vontade delas. E nunca levei isto avante.

Sei que a vida passa a correr e eu já tenho comigo material para alguns livros, é um tema que adio sempre, até na minha cabeça, para não andar ansioso com isso.
Mas é capaz de ser um dos maiores sonhos que tenho. Sabes que quando me deito imagino muitas vezes esse dia: eu, a minha família, os meus amigos, as pessoas que em leem e me dão conta disso. Um fotógrafo amigo a fazer o meu trabalho e uma cadeira, que me separa das pessoas e já imaginei vezes sem conta o que diria naquela circunstância. Mas depois adormeço e dou umas braçadas no rio do Tom Sawyer.

Não quero iludir-me, se calhar devia ser mais ambicioso neste assunto mas parece-me sempre algo distante e difícil.
Quando me falam nele dou sempre a mesma reposta: “Oh, um dia destes…” e as pessoas nem sabem que não vejo sequer esse dia por perto, porque é algo que não depende apenas de mim.

Hoje podes chegar a uma editora e pagar 2000 mil euros por meia dúzia de livros, mas eu para alem de não o poder fazer, por vezes acho que não o deva fazer de forma tao superficial.

Não estamos a falar de latas de tinta ou de águas com gás mas de palavras que te fazer viajar ou absorver, que te fazem chorar, rir, recuar e avançar, ir longe mesmo que estando por perto, parar no tempo que te identificam. É a magia de nos transportar para o coraçâo e a fragância de uma coisa assim devia ser única, não se devia medir pelo código de barras.

Olha, um dia destes…

Mafalda: Gostas de tirar fotografias excêntricas, quer seja um nu integral com um boneco a tapar o que resta, quer seja no meio de uma movimentada rua Lisboeta. O Marco fora das redes sociais é assim? Espontâneo, livre e excêntrico?

Marco:

— Tal e qual. Sabes que tenho muita gente que conheço com a fotografia e trocamos ideias sem ainda nos conhecermos e falamos em grupos e coisas de fotografia e um há uns anos conheci um deles, o Sérgio e ele disse-me uma coisa que não me esqueço: — “De todas as pessoas que conheci com esta coisa da fotografia, és aquele que é mais próximo dele próprio depois de o conhecer pessoalmente. És o mais real”, ou seja, sou muito daquilo que publico.

As fotografias e a escrita são sempre uma extensão de mim.
Mas depois sou mesmo assim, ser polemico é estar vivo, ser irreverente também.

Tenho uma lata enorme; os meus amigos dizem que faço aquilo que eles não são capazes de fazer porque tenho lata. Abordo mesmo as pessoas da forma mais inesperada possível porque sei que é isso que os vai marcar, que vai distinguir.
Gosto de ser arrojado sem ser parvo, e também gosto de ser parvo sem ser inconveniente. Digo as coisas de uma forma que pode soar bem e há disparates que podem ser a maior gargalhada do dia. Quem em conhece diz sempre: — “Ah ele é um artista” mas eu nem acredito nisso, acho que é pela coragem de saber que não tenho nada a perder.
Por isso é que onde onde estou costumam acontecer as coisas mais inusitadas.

A minha amiga Leti diz-me sempre: — “Epa não sei como fazes mas atrais sempre qualquer coisa que parece saída de uma historia impossível”.

Gosto muito de rir de mim próprio e isso ajuda e gosto ainda mais quando os faço com que julgam que gozam comigo, mas estou eu a gozar com eles. Não é fácil de explicar mas é incrível de fazer.
Depois sempre fui pelo sentido de humor, porque faz parte de mim, porque esconde as minhas inseguranças e porque com ele chego onde não seria possível chegar. É de facto uma arma.
E se o usar de forma excêntrica pode ficar na cabeça das pessoas por muito tempo.

Quanto as fotografias onde me dispo, já contei isto muitas vezes: normalmente há muita gente a dar-me os parabéns quando faço anos e um dia resolvi subir uma montanha la na minha aldeia e despir-me com um urso que de peluche que a minha mãe me tinha dado no dia que eu nasci a tapar a parte da frente (portanto um urso pequeno) e escrevi essa fotografia em forma de agradecimento e aquilo fez um boom tremendo. Mais do que alguma vez eu pensara.

E o que faz um rapaz que gosta de estar no centro das atenções?

Repete muitas vezes aquilo que sabe que o leva lá. Mas também porque me divirto imenso a tirar essas fotografias.

Rio-me sozinho e isso não se paga e riome de mim próprio, a 1000 metros de altitude, no meio do nada, entre montanhas e um guarda florestal que nunca sei se me vê ou não. É brutal. Depois do urso, veio uma cana de pesca e 3 sardinhas e a historia desse dia dava para outro livro; uma fatia de melancia, folhas e sei la mais o quê.

No dia que arranjar um anão com um laço e o segurar na cana de pesca com 3 sardinhas na boca acabo com isto. (espero que desfrutem desta imagem com que vos deixei).
Mas sim, sou mesmo assim como me adjetivas nesta pergunta.

Mafalda: As nossas vidas pintavam tantas vezes um filme. Tens algum filme marcante?

Marco:

— Gosto de filmes com boas histórias reais. Cada vez que vejo um filme muito bom digo sempre que foi o melhor que já vi portanto se calhar o “Seven Pounds” por ser forte.

 

Mafalda: Que música escolherias para pano de fundo da nossa Entrevista?

Marco:

— Aquela que ouvi várias vezes enquanto respondia: “Ben” do Rubel. Gosto muito destes músicos Brasileiros.

 

Mafalda: Que música escolherias para abrir o site do Bisturi?

Marco:

“One day we had today” ao Piano, é incrível, parece que está reproduzir-nos borboletas no estômago.

É entusiasmante!! 

 

Mafalda: Para terminar, queremos saber como entrou o Marco em 2019!(nu na serra?) Optaste por alguma cor especial de roupa interior?

Marco:

— Vestido na cidade. Ainda não me dou com o frio húmido daqui por mais estranho que isto possar parecer.

Prefiro os 0 graus da aldeia para me despir, porque estava habituado a eles. Nunca liguei muito a isso das cores nos boxers, nem acredito nisso.

Sei que eram azuis, porque quando me estava a deitar olhei e pensei: “Epa oh Marco fizeste isto sem querer”, mas dei tanta importância que só me voltei a lembrar disto agora.
Mas gosto do amarelo, se for para dar sorte que seja sempre em amarelo.

Entrei calmo, esta situação da mudança para Lisboa tem-me tirado tempo e por vezes posso parecer mais distante. É uma fase de adaptação, coisas novas e agitação. Mas creio que começou no sítio certo com as metas certas.


Marco Gil, Cronista Bisturi 2018:

— Mafalda, Obrigado pela Entrevista, pelo tempo que me dedicaste, pela oportunidade de me publicares as Crónicas.

Quero dar-te os parabéns pela Plataforma que criaste, pelo Projecto único e ambicioso e pela criatividade que lhe empregas todos os dias.

Depois quero agradecer a todos os que gostam de me ler, de ler o que escrevo, até aos que não passam do primeiro parágrafo. Espero que gostem de me conhecer mais um pouco e que seja tão bom com ver um Presidente da Republica no chassis de um camião a caminho de Ayamonte.