Entrevista a Margarida Falcão, Vocalista dos Vaarwell | Por Mafalda G. Moutinho

Entrevista a Margarida Falcão, Vocalista dos Vaarwell | Por Mafalda G. Moutinho

Aconselhamos que sintonizes enquanto lês a Entrevista, os Vaarwell em: https://open.spotify.com/album/7n7Bxx5jP4aUf21d4IVBfY?si=Q2dwo8vLS_SVYLFhtL2FWQ  ou


Mafalda: A minha primeira questão é inevitavelmente como surgiram os Vaarwell?

Margarida:

— Nós conhecemo-nos em 2012 numa escola secundária profissional e nessa altura começamos a “brincar” às bandas, mas com pouco compromisso. Mas no final de 2014, tivemos de apresentar um trabalho final para acabar o curso de Produção Musical e decidimos levar os Vaarwell mais a sério, acabando por compor um EP.

Mafalda: E quem compõe a banda?

Margarida:

— Eu, o Ricardo Nagy e o Luís Monteiro. 

Mafalda: Qual o significado do nome da vossa banda?

Margarida:
 — O nome surgiu depois de várias tentativas sem resultado e como solução acabámos por ir ao Google Translate e escrever palavras aleatórias em várias línguas que não sabíamos falar. Vaarwel significa “adeus” em Afrikaans e nós juntámos-lhe mais um “L”.

Mafalda: A música transpira alma e essência. Qual é a alma dos Vaarwell?Que mensagem procuram passar com a vossa música?

Margarida:

— Na verdade, não temos nenhuma mensagem oficial comum a todas as músicas. Talvez enquanto banda, gostaria de conseguir acabar com o estigma de cantar em Inglês, visto que em Portugal é algo que é sempre questionado (raro é o pós-concerto em que não me perguntam porque é que não canto em português).
Gostava que, de alguma forma, conseguíssemos incentivar a uma maior tentativa de exportação da música feita cá (para além do fado) pela parte de indústria, pelo Ministério da Cultura e das grandes editoras. Mas já estou a sonhar muito…

Mafalda: Se tiveres de definir um estilo musical para a vossa banda, qual seria?

Margarida:

Dream Pop. 

Mafalda: Editaram em Março de 2017 o vosso primeiro Álbum, “Homebound 456” ao se seguiu o EP de 2015 “Love and Forgiveness”. Queres-nos desvendar um bocadinho os processos de gravação desse álbum, e como foi recebido pelo público?

Margarida:

— O Álbum foi criado entre 2015 e inícios de 2016, gravado no Namouche e misturado pelo Paulo Mouta Pereira. Foi um processo de gravação bastante “standard”, com obviamente algumas experiências feitas à medida que íamos gravando. Foi bem recebido pelo público, apresentámo-lo no CCB e a casa estava cheia!

No que toca a atenção de imprensa, ligaram-nos mais no estrangeiro – Clash Magazine, BBC Radio 1 & 6, Indie Shuffle, Tenho Mais Discos que Amigos, etc – embora também tenhamos passado em algumas rádios nacionais.

Mafalda: Qual a mensagem que pretenderam passar com “Homebound 456”?

Margarida:

— Nada de muito profundo. Queríamos demonstrar que  tínhamos evoluído desde o EP, tínhamos canções e queríamos que as ouvissem.

Mafalda: Qual é a sensação de abrir o Spotify, ou até o YouTube e ver-te ali espelhada com a tua voz num formato no qual sempre viste os teus artistas predilectos?

Margarida:

— Para ser sincera, quando colocámos o nosso primeiro EP no Spotify, eu não ligava muito às plataformas digitais e fazia download de músicas para o Itunes. Não ligo tanto ao facto de a minha música estar disponível da mesma forma que está a dos meus artistas predilectos, ligo mais às reações das pessoas que a ouvem.

Mafalda: E por falar em artistas predilectos quais são as referências musicais dos Vaarwell? 

Margarida:

— São muito variadas. No início, o Ricardo e o Luís ouviam punk rock, hardcore, mas também algum hip hop, música eletrónica entre outros. E eu ouvia mais folk, pop, indie pop. Mas hoje em dia, já somos mais “consistentes” e partilhamos mais referências, como Alt J, James Blake, Kanye West, entre outros.

Mafalda: E os artistas predilectos da Margarida?

Margarida:

— Há muitas referências mas talvez a principal seja a Laura Marling.

Mafalda: Os vossos videoclips que estão aliás disponíveis no YouTube e noutras plataformas são bastante originais e na minha opinião não ficam nada atrás aos dos grandes artistas mundiais. Queres-nos contar como foi gravar o primeiro Videoclip? 

Margarida:

— A primeira experiência não foi a melhor. Não fizemos parte do processo criativo nem das filmagens, e acabamos por não gostar nada do resultado e então nunca lançamos.
Mas foi uma lição, e a partir daí procurámos ter mais “mão” no processo todo.

Mafalda: Quem tem trabalhado convosco?

Margarida:

— Rui Vieira, Hugo Rosado, Pedro Marques Peireira, Daniela K Monteiro.

Mafalda: Quando podemos ver um novo Videoclip dos Vaarwell?

Margarida:

— Sairá esta semana, à partida!

Mafalda: A vossa curta história temporal, já passou pelas grandes rádios mundiais, como a BBC Rádio 1, a BBC Rádio 6 e por cortesía a nossa Radar Fm. Que canções foram destacadas por essas rádios?

Margarida:

— “You”, “Homebound 456”e agora a “Money”

Mafalda: Já tocaram um pouco por todo o país e fora do mesmo? Queres-nos contar onde e quando?

Margarida:

— Desde 2015, tocamos um pouco por todo o país. Fora dele, tocámos em Espanha (Madrid, Badajoz, Salamanca) em Abril, Maio e Outubro de 2018, na Áustria tocamos em Setembro de 2018 e agora voltamos dia 14 ao sul de Espanha (Cádiz) e por fim estreamo-nos nos Estados Unidos para o SXSW, no Texas em Austin.

Mafalda: Qual é a sensação de levar a nossa música para fora das nossas fronteiras? Sentiste uma responsabilidade acrescida?

É boa porque sempre quis exportar o que faço e adoro a reação que temos sempre que tocamos. Em Zamora esgotamos os nossos EPs que tínhamos levado para a tour toda (e era a primeira data). Não sei bem porquê, mas sinto uma maior necessidade de agradar – talvez por estarmos a “ocupar” o lugar de uma banda que podia ser local. Quero que sintam que valeu a pena, tanto o público como o produtor.

Mafalda: 2019, é para os Vaarwell ano de “Early Rise”. Podes-nos desvendar a mensagem deste álbum?

Margarida:

É um EP que marca uma emancipação pessoal e uma maior afirmação em relação ao som da banda.

Mafalda: Quando e onde o vamos poder ouvir?

Qualquer plataforma digital! (Spotify, Apple Music, Itunes, Deezer, etc.)

Mafalda: Já podemos ouvir o primeiro Single de “Early Rise”, Money, e vai viajar até um dos grandes festivais do mundo, o South by Southwest (SXSW), em Austin, Texas. É sem dúvida uma grande viagem. Quais são as vossas expectativas com a vossa participação neste festival?

Margarida:

Gostavamos muito que a nossa música tocasse o público que lá estiver e que de alguma forma deixemos uma “marca” nos Texanos.

Mafalda: Onde vamos poder ouvir brevemente os Vaarwell?

Margarida:

Dia 15/02 na Fnac de Évora, dia 22/02 no Musicbox Lisboa e dia 17 de Maio no CAE, Figueira da Foz.

Mafalda: As nossas vidas pintavam tantas vezes um filme. Tens algum filme marcante?

Margarida:

“Somewhere” da Sofia Coppola. Tem também um excelente soundtrack.

Mafalda: E por falar em filme. Ia jurar que ouvi uma música dos Vaarwell num filme. Será verdade? Queres-nos contar um bocadinho como foi essa experiência?

Margarida:

Sim, algumas das nossas canções integraram o soundtrack do filme “Leviano”. O realizador, Justin Amorim, já conhecia algumas canções nossas (através de um amigo) e achou que se iriam encaixar bem no ambiente do filme. Propôs então esta colaboração, e gostámos muito da ideia. Tocámos ainda a “Stay” na apresentação do filme no Rock in Rio Lisboa.

Mafalda: Se tivesses que escolher uma música para abrir o bisturi.eu, qual escolherias (pode ser vossa)?

Margarida:

How Deep is Your Love – Beegees

Mafalda: E que música escolherias para pano de fundo da nossa entrevista?

Margarida:

I’ll Try Anything Once – The Strokes

Mafalda: Terminamos com sonhos. Quais são os grandes sonhos dos Vaarwell? No fundo quais os vossos objectivos para o futuro?

Margarida:

Acho que o nosso grande objetivo é conseguir exportar este projeto, esgotar uma tour mundial, tocar em palco principais de grandes festivais pelo mundo (entre muitos outros sonhos/objetivos).


Agradecimento final:

Mafalda:

— Margarida, obrigada por me teres contactado. Das poucas certezas que tenho na vida é que a humildade, é a característica principal que culmina no sucesso de qualquer ser humano em qualquer circunstância.