Facadas, Churchill e o PSD!

Emanuel Bandeira

Bisturi Cronista


Uma alcatifa com duas linhas vermelhas, a simbolizar o comprimento de duas espadas.

É esta a distância que separa os deputados dos dois partidos opositores no Parlamento inglês, representando o caráter universal de rivalidade existente na Política.

Já a distância que separa Luís Montenegro e Rui Rio não é a de uma espada mas sim a de um punhal, pois como lembrou Churchill, embora os políticos ingleses estivessem separados por duas espadas, a maior ameaça estava sempre à distância de uma facada pela calada, perpetrada pelos companheiros do próprio partido.

Esta verdade política universal assenta que nem uma luva à atual situação do PSD, na qual Montenegro veio dizer de Rio o que nem Maomé disse do toucinho. Com isso, Montenegro assumiu-se como porta-estandartes da autofagia cíclica que infeta o PSD quando este não está no Governo.

Quando não há cargos e carguinhos para distribuir (ou quando os que há estão em vias de arder), há uma parte do PSD que é assolada por uma epidemia psicológica coletiva, que varre os pensamentos mais sossegados da cabeça de alguns militantes normalmente moderados e os substitui por pródigas efabulações proto-anarquistas. Por outras palavras: se o PSD não está no Governo e algum militante é poder, então o PSD é contra esse militante.

Como um drogado viciado em heroína, há uma parte do PSD (e do PS) viciada em poder. Se o drogado não tem heroína, há roubo. Se essa parte do PSD não tem poder, há revolução.

Estes episódios recentes da vida do PSD (e que o PS também conhece, basta recordar a luta fratricida Costa/Seguro), têm-lhe retirado a energia necessária para travar o verdadeiro e único combate que o PSD deve ter pela frente: contra o PS e o neo-socialismo geringoncialista que, mesmo com condições económicas ímpares, não foi capaz de fazer as reformas de que o país precisa.

Infelizmente, entre as aspirações de uns e as conspirações de outros, o PSD já ardeu que chegue. Mas, mais grave do que isso, é que enquanto os social-democratas se vão apunhalando uns aos outros, deixam o PS com rédea solta para continuar a destruir o futuro de Portugal e das próximas gerações.

Veja-se o desnorte na Educação, a rutura na Saúde, o caos nos Transportes ou a insustentabilidade na Segurança Social.
E por muito importante que seja o futuro do PSD no país, mais importante deverá ser sempre o futuro do país para o PSD.


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