Mais Liberdade para 2019

Miguel Pedro Araújo 

Bisturi Cronista


Não sei se a Imprensa será, de facto, o chamado quarto poder. E muito menos se será um “poder”. Mas a verdade é que a Comunicação Social, por natureza e pela sua essência, tem poder e deve ter poder. Poder de relatar factos e dar notícias, transmitir conhecimento e informação, marcar e assinalar a história.

A Comunicação Social atravessa, nomeadamente nesta última década, contextos e realidades complexos, seja por força das alterações do paradigma comunicacional, seja por razões endógenas (sustentabilidade, profissionalismo, credibilidade), seja ainda por pressões externas que adulteram os impactos da Imprensa na sociedade (as “fakenews”, o caos da internet e da era digital). Mas a verdade é que um mundo sem Informação, sem Notícias, é um mundo obscuro, enigmático, falso, irreal. Por outro lado, não é possível conceber um Estado de Direito e uma Democracia civilizacional sem uma Comunicação Social sólida.
Além disso, a Comunicação Social é a guardiã da liberdade de expressão e de opinião. Direito Universal tantas vezes, demasiadas vezes, colocado em causa, violado, amordaçado.

Foi assim em 2018, um dos piores anos, desde 2006, para o Jornalismo e para os Jornalistas.

Em 2018, o número de jornalistas e outros profissionais da comunicação social mortos em assassinatos selectivos, bombardeamentos ou durante diversas situações de conflitos armados subiu para 94, mais 12 do que em 2017, segundo dados reunidos pela Federação Internacional de Jornalistas.
Já o número de jornalistas em prisão atingiu um número recorde em 2018: 251, segundo o Committee to Protect Journalists, organização sem fins lucrativos baseada em Nova York. Infelizmente, também se destaca o aumento de jornalistas detidos por divulgarem “notícias falsas” e que em dois anos passaram de nove para 28.

Por alguma razão, sublinhando estas tristes realidades, a “Time” escolheu, na sua última publicação, um grupo de jornalistas para a Figura do Ano a que chama de “os guardiões da liberdade”, que foram presos ou assassinados durante 2018, pela sua “luta pela verdade”: entre outros, Jamal Khashoggi, o jornalista saudita assassinado na embaixada da Arábia Saudita na Turquia, em outubro passado; os quatro jornalistas do jornal Capital Gazette que foram mortos a tiro num massacre na capital do estado de Maryland, nos EUA, em julho passado, por um homem que tinha processado a publicação e perdido o caso em tribunal; os dois jornalistas da agência Reuters, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, condenados a sete anos de prisão, em setembro, acusados de terem revelado segredos de Estado, no decurso de uma investigação sobre massacres de muçulmanos rohingya; e ainda Maria Ressa, jornalista filipina cujo site “Rappler” foi processado por difamação pelo governo das Filipinas, após uma investigação sobre corrupção.

Fica o meu desejo para 2019… a valorização e defesa dos valores da Liberdade, da Liberdade de Expressão e Opinião, a Liberdade de Imprensa e Informação. Pela Verdade e por uma Verdade LIVRE.