O que precisa um país? | Opinião Pública por Bernardo Hille

Bernardo Hille

Bisturi Cronista “Opinião Pública” 


O que precisa um país

Todos nós já pensámos nas maneiras certas de melhorar o nosso país.

No geral, pensamos sempre que medida x ou y poderíamos implementar para melhorar essa área.

Precisamos de mais hospitais, precisamos de melhores escolas, e por ai fora, algumas vezes pensamos no que seria melhor para a sociedade, outras vezes pensamos no que seria melhor para nós.São decisões necessárias do dia a dia, mas acho que têm de vir em segundo lugar.

O que quero eu dizer com isto?
Antes de decidirmos quais as decisões certas a tomar,temos de pensar como se tomam as decisões certas.

A primeira coisa a fazer é, portanto, organizar a sociedade de maneira a que a tomada dessas decisões acertadas aconteça regularmente.
Como um país é uma estrutura muito vulnerável onde milhões de vidas dependem dessas decisões, temos também de maximizar as hipóteses de não serem tomadas as decisões erradas.

Como podemos então o fazer ?

Temos de ser dirigidos pelos mais capazes (algo de difícil definição mas essencial), de ter leis razoáveis bem adaptadas à natureza humana e à realidade do país, temos de ser adaptáveis aos vários ambientes com que um país se depara, previligiar um plano de longo prazo essencial para se conseguir alcançar o que quer que seja, temos de manter o país estável socialmente( nenhum país com desordem é próspero) e sem abusos de poder .

Organizar a sociedade desta maneira significa utilizar os mecanismos que mais impacto têm na sociedade: a constituição, a cultura,as instituições as relações entre as pessoas.

Não querendo escrever longos textos vou tentar simplificar estas ideias:

– na constituição, o que tem falhado que depois se transmite numa degradação da sociedade tem sido ,sobretudo , uma incapacidade dos mais inteligentes e capazes subirem ao poder nos partidos (pessoas competentes não são tão remunerados como no privado, são atacados constantemente e ainda um ambiente tóxico dentro dos partidos);

– uma mudança de planos a cada 4 anos ou 8 anos com mudanças no governo que tornam o país ingovernável ( como poderá ser feita uma reforma na educação, que significa educar uma nova geração, se tudo for alterado 8 anos depois de ter sido começada, voltando tudo à estaca zero? ) ;

– uma impossibilidade de fazer reformas, de se adaptar e adoptar melhores práticas. O povo português bem tenta mostrar o seu descontentamento pela abstenção, mas nada é feito.

Na cultura ,talvez o que vá dizer possa parecer controverso, podemos previligiar modos de vida mais úteis aos cidadãos. Comportamentos das pessoas que não causem problemas evitáveis, como as famílias monoparentais(algo evitável , se houver mais pressão social contra o divórcio ) , o consumo de substâncias nocivas, e por ai fora.

O Cristianismo fazia um trabalho razoável a tornar as pessoas produtivas para a sociedade e evitava esses problemas e outros não mencionados, com o seu desaparecimento tomou conta um niilismo que não traz nenhuma dessas vantagens.

Quer seja o cristianismo ou outro qualquer sistema moral, tem de existir uma qualquer filosofia generalizada que seja útil a regular comportamentos humanos.

O meu argumento é que tudo onde temos influência num país(constituição, instituições, cultura) tem de fazer com que exista uma forte possibilidade que as acções governamentais tomadas tenham grande possibilidade de ter êxito e sejam produtivas para os cidadãos.

Só com as pessoas certas, a estratégia certa, e a cultura certa podemos ter boas hipóteses de sucesso nas várias acções para melhorar o país.