Odisseia na Tailândia| Parte II – Koh Phangan

Adriana Correia

Bisturi Cronista, Autora “Insiders of the World”


Fui no primeiro barco da manhã para Koh Phangan (com bilhete regateado, claro) e à medida que ele se afastava já sentia saudades daquele pedaço de terra que me fez conhecer pessoas espectaculares e ter dos melhores dias da minha vida em viagem. Mas como a vida é feita de momentos em que temos mesmo de seguir em frente sem olhar muito para trás, eis que fui naquela curta viagem com um sorriso na cara, carregado de felicidade por já ter vivido momentos incríveis.
Estava um calor imenso e o hostel com dormitório e com uma piscina junto ao mar que me tinham aconselhado ficava a uma hora a pé do píer. Com a minha mochila de dez quilos às costas fiz aquela caminhada com breves paragens para almoçar, para beber um batido ou para simplesmente dar um olhinho ao que me rodeava. Assim que cheguei e fiz o check in não resisti a dar um valente mergulho na piscina e aproveitar uma hora de descanso entre banhos de sol e apreciar a vista para o mar que me era proporcionado.
Entretanto conheço uma italiana com quase a idade da minha mãe com quem eu partilhava o dormitório e que, desde logo, senti uma ligação muito bonita. Foi com ela que acabei por passar todos os meus dias naquela ilha tailandesa ainda desconhecida para mim, mesmo numa terceira visita ao país.
No nosso segundo dia e com a nossa vespa vermelha nova alugada por 250 baths, demos a volta à ilha e conhecemos as suas praias e cascatas. Para jantar ambas decidimos ir a uma pizzaria perto do hostel, numa decisão super unânime e engraçada, quase telepática diria eu. Enquanto bebíamos algo para tentar refrescar aquela noite super quente, aparece um canadiano reformado que pergunta se podia sentar-se na nossa mesa e nós como umas queridas que somos dissemos prontamente que sim, apesar de termos acabado de comentar o quão bom era termos estado a aproveitar a companhia uma da outra durante todo aquele dia sem nenhum homem sempre atrás.
Foi também com ela que apanhei a minha primeira boleia naquela ilha e que ela andou à boleia pela primeira vez na vida!
Conversa puxa conversa e ele desde o início que demonstra ser super esquisito e a falar de nudez e numa praia nudista em que ele insistia que todos devíamos ir amanhã. E eu só olhava para ela com a cara de:
– Tira-me deste filme, por favor!
Fala também dos seus bens materiais como o carro, a empresa ou as casas que tem, como se de um pavão de tratasse. E eis que surge a frase daquele dia em que a E simplesmente afirma:
– Normalmente os homens que elogiam demasiado o seu grande carro têm um pénis pequeno.
E esta foi a deixa para pagarmos o jantar e irmos para o nosso hostel a rir como melhores amigas de longa data. Mesmo que ainda assim ele nos tenha seguido e perguntado pelas nossas redes sociais! Mas que grande maluco…
Mas isto para dizer que adorei a E pelos seus 49 anos (muito bem conservados) e esta liberdade de espírito e de dizer o que pensa, assim, sem problemas. Ela foi a terceira mulher desta idade que conheci na minha viagem e que simples e rapidamente ficaram no meu coração por me terem dado belas lições de vida não só como mulher mas como ser humano também.
Esta ilha ficou marcada pela sua espiritualidade também. Sente-se em todo o lado. Há retiros com monges, sessões de yoga em qualquer espaço, massagens de energias, pessoas que falam sobre isso em qualquer praia, e um grande à vontade sobre esse tema.
Depois de Koh Phangan e de explorar as praias, cascatas e fazer massagens tailandesas com a E bem como ir para uma saída à noite com os amigos dela (sem ela querer ir por não estar virada para festas) na noite anterior a ter de estar no píer para apanhar um ferry às 6h30, eis que sigo viagem. Acordei às 6h22 e, após aquela noitada, acabei por dormir com o meu macacão preto (para também não acordar ninguém no dormitório), agarrei na mochila e saí a correr.
Koh Lanta foi a ilha escolhida para a próxima paragem e onde aproveitei logo naquele primeiro dia um dos melhores pôr do sol da minha vida. E estava exatamente eu a ver essa maravilha da natureza quando sinto um disco a voar para a minha frente com alguma força e era um rapaz da minha cidade com quem nunca tinha falado pessoalmente antes! What a coincidence…