PSD: a casa de ideologias não marxistas!

Luis Nunes dos Santos

Bisturi Cronista, Presidente da JSD Évora


O dia das legislativas passou, muitos foram votar, demasiados cidadãos ficaram em casa, uns partidos perderam, só um ganhou e houve espaço para que pequenos partidos conseguissem o seu objectivo de eleger e estar representados na Assembleia da República.

Já muito se escreveu e disse nestes dias de ressaca eleitoral, é benéfico fazer uma análise de quem perdeu e porquê, e analisar os novos partidos de direita eleitos e talvez em dismistificar a esquerda, afirmar que é muito saudável que exista um número maior de partidos representados na casa mãe da democracia.

É indiscutível que o Partido Social Democrata perdeu estas eleições, o resultado foi um dos piores de sempre e não é errado afirmar que este resultado não honra a história do partido, porque o Partido Social Democrata é um partido estrutural da nossa democracia e da civilização portuguesa do pós 25 de Abril.
Reflectir sobre as causas desta derrota é um exercício que deve ser feito o quanto antes, não só neste artigo, mas por todo o partido, os desafios são enormes, a esquerda domina a política portuguesa.

O Partido Social Democrata tem que ser reerguer, não pelos seus militantes e eleitos, mas sim por todos os portugueses e por Portugal. A voz do PSD faz falta em todos os aspectos da vida política.

Rui Rio não perdeu as eleições no dia 6 de Outubro, perdeu muito antes, quando tomou as suas decisões, não duvido que ele achava serem as mais acertadas, no entanto, o certo é que foram praticamente todas erradas e todas as decisões têm consequências.

Ora vejamos, durante os últimos dois anos foram demasiadas as vezes que Rui Rio escolheu não falar, não aparecer, remeter-se aos silêncios.

Deixou demasiadas vezes a sua opinião sobre os assuntos do dia só para si, não comunicou, não interegiu com o seu eleitorado, deixando assim muita gente que se revia no PSD órfã do seu partido e do seu líder.

Ao invés disto todos os dias  tivemos actores políticos socialistas e bloquistas a marcar a agenda e a ditar a opinião no dia a dia. Quem formou a opinião geral nestes útimos dois anos da governação de António Costa foi quem governava, sem ter quase contra-respostas, é por isso natural que a franja do centro que é volátil a votar no Partido Socialista ou no Partido Social Democrata, nunca iria votar no PSD.

Um partido que tem um líder que não defende, nem fala dos anseios dos cidadãos não consegue ganhar eleições, e é por isso que António Costa mesmo a governar com a extrema esquerda conseguiu ir buscar os votos dos moderados do centro.
Um outro factor para este mau resultado prende-se pelo discurso da recentração do partido ao centro, que dá azo a que uns digam que é de esquerda, outros digam que é de direita e às tantas ninguém se entende.

A verdade é que o PSD não é só um partido social democrata, também é um partido social democrata, mas existem e devem continuar a existir outras sensibilidades.

Nós somos um partido grande onde cabem liberais, conservadores, democratas cristãos, sociais democratas, cabe tudo o que vai do centro ao centro direita.

No dia em que Rui Rio veio tentar purificar o Partido Social Democrata a uma só matriz ideológica, deu espaço e argumentos aos eleitores para votarem noutros partidos que não o PSD.

O Partido Social Democrata sempre foi a grande casa de todos aqueles que não são socialistas, a social democracia portuguesa tem essa história intrínseca, não somos ideologicamente um nicho, temos nas nossas fileiras pessoas que pensam de forma muito diferente, mas que na base de todo esse pensamento diferente existe a mesma base de valores comuns: a democracia, a liberdade, o reformismo como caminho para alcançar uma sociedade melhor, a livre iniciativa do individuo, a dignidade dos seres humanos que compõem o país, a igualdade de oportunidades à partida, justiça e equidade social em conjunto com a economia social de mercado.

Descrevi aqui alguns erros que levaram a derrota de 6 de Outubro por parte do Partido Social Democrata. Está na hora de inverter o caminho.

A luta deve ser virada na alternativa ao socialismo, mostrar aos cidadãos que os erros socialistas custam muito aos portugueses, é necessário relembrar a história recente deste século e explicar o porquê de tudo isto.

Liderar o debate, ser acutilante nas formas de comunicar a mensagem e ser irreverente nas propostas.

Em suma, não basta apontar objectivos, temos que saber comunicar que o caminho do Partido Social Democrata para os alcançar é o melhor para se criar de facto um país em que vale a pena viver, investir, ter filhos, criar empregos pela livre iniciativa de cada um, onde vale a pena pagar os impostos porque sabemos que existe um Estado eficiente e capaz de nos garantir bem-estar social.

Nos próximos tempos o Partido Social Democrata vai ter muitos desafios à sua direita, uma vez que existem mais partidos com voz nesse espectro, é por isso preciso não deixar de novo gorar as espectativas das pessoas.

O PSD tem que andar nas ruas, falar com as pessoas, defende-las e ser o escudo protector dos abusos que a esquerda nos quer impor à nossa liberdade e à nossa forma de vida.

O PSD tem que ser aquilo que as pessoas sempre acharam que era o PSD, mas tem que ser mais ainda. Tem que se superar a si mesmo!
Tenho esperança nesse Partido Social Democrata, Portugal e os Portuguesas em conjunto com a democracia plena de liberdade, reformismo e humanismo assim precisam!


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