Violência contra os Idosos: um obstáculo para um envelhecimento digno!

 

Sandra Carvalho

Bisturi Cronista


A violência em geral é algo que ocorre em todos os momentos e em qualquer lugar no mundo. O índice da mesma aumentou nas últimas décadas, tanto em relação ao idoso como em relação a população em geral.
A violência impõe obstáculos a um envelhecimento seguro e digno, por isso a participação de todos nós é fundamental para prevenção da violência. É urgente que esta prática se torne visível, perceptível, reconhecida e reprovada, pois é real e acontece de forma quase despercebida, quando a fralda não é trocada, quando a medicação não é administrada adequadamente, quando alguém se apodera da renda desse idoso ou faz pouco da sua demência.Os agressores são na maioria os filhos (39,6%), o cônjuge (26,5%), mas também há casos em que são os vizinhos (4,4%) e os netos (36%), adiantam os dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV)
Um em cada seis idosos é vítima de algum tipo de violência em todo o mundo, mostra relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado na revista Lancet Global Health.A organização estima que, em 2050, o número de idosos vai dobrar, chegando a 2 milhões. A grande maioria estará vivendo em países de baixa e média rendas. Se a proporção de vítimas continuar como atualmente, o número de idosos afetados por abusos ou violência pode alcançar 320 milhões até lá, de acordo com o relatório.
A especialista independente da ONU sobre Direitos Humanos, Rosa Kornfeld-Matte, afirmou que “muitos idosos correm o risco de sofrerem abusos por seus próprios familiares”. Segundo Kornfeld-Matte, a maioria dos casos de acontece de forma discreta e passa despercebida. Ela pediu mais vigilância e mais relatos de casos suspeitos.
A representante da ONU afirmou que “as pessoas não devem fechar os olhos para o destino dos idosos, mesmo quando seja difícil aceitar que a própria família não seja sempre um porto seguro”.
O sistema penal está longe de fornecer todas as respostas necessárias a estes casos. O que acontece quando o cuidador é o agressor?
Ou se tira o cuidador da casa e o idoso fica sozinho, apenas com instâncias sociais que tratam da higiene, da alimentação, da casa, e falta aí muita coisa, a pessoa também vive de afectos, de interacção. Ou o institucionalizamos e desenraizamos.
Os cidadãos devem participar desse propósito para conscientização de toda sociedade, principalmente dos familiares, da forma com devem tratar os seus idosos. É necessário implementar programas de atenção ao idoso como também para futuras gerações de pessoas idosas.
Envelhecer com dignidade pode ser muito difícil. Portanto, é necessário que a família, a sociedade e o poder público reflitam sobre a responsabilidade de dar ao idoso uma velhice com dignidade e denunciar todos aqueles que a não respeitam.
Também pudemos perceber que, apesar de haver algumas denúncias, pouco se tem feito. Portanto, algumas medidas de divulgação e prevenção poderiam ser tomadas, até mesmo como força tarefa com o objetivo de garantir dignidade, cidadania e respeito em relação ao idoso e acima de tudo do ser humano.