Winston, perdoa-lhes que eles não sabem o que fazem!

Luís Nunes dos Santos

Bisturi Cronista


A política Europeia está na ordem do dia, por um lado aproximam-se as eleições onde cada Estado-membro vai escolher os seus representantes, por outro lado o Brexit encontra-se cada vez mais perto, e consequentemente as implicações que vão resultar da saída do Reino Unido da familia da União Europeia.

As eleições Europeias são da maior importância para os europeus e sobretudo para os portugueses, uma vez que no nosso dia-a-dia, a relação entre o nosso país e a Europa é fundamental.

É importante reflectir primeiro o tema do Brexit por considerar que o Reino Unido esqueceu o seu papel fundamental que desempenha no mundo, e também, esqueceu o motivo de organizações como ONU e UE terem sido criadas.
Houve tempos em que a Paz, a Democracia e as Liberdades dos cidadaos não eram um dado adquirido, e portanto no pós I Guerra Mundial, e no limbo até à II Guerra Mundial existiu a Sociedades das Nações composta por estados soberanos da altura. Esta organização foi criada com um objectivo simples: a construção de uma paz duradoira, sob as regras do Tratado de Versailles que ao ser assinado acabou com a I Guerra Mundial.

Ora como todos sabemos tanto o tratado de Versailles não foi cumprido, como a Sociedade das Nações falhou em garantir a tão desejada Paz Europeia e Mundial.
Existem varias razões para a falha completa, a primeira é óbvia, a Alemanha Nazi queria a guerra, as outras razões são também perceptiveis a esta distância, a começar pelos Estados Unidos da América  que procuraram uma politica isolacionista acerca das questões relacionadas com o continente europeu, ficando no entre guerras longe de qualquer questão que não fosse a sua politica interna.
Por outro lado as discussões entre as países da Sociedade das Nações tornaram-se estéreis e egoístas, a política do cada um por si chegou ao ponto de grande parte destes Estados cegarem e não perceberem os perigos da Alemanha Nazi.

A paz deve ser defendida a todo o custo,  na altura a paz tinha sido mantida se a Sociedade das Nações tivessem feito o seu trabalho em conjunto e imposto as sanções devidas ao infrigir das regras por parte do nazis, porque todos os países juntos eram mais fortes do que a totalitária Alemanha Nacional Socialista.

Todos sabemos o resultado da II Guerra Mundial, e de como a Grã-Bretanha foi importante na vitória final, essa Grã-Bretanha tinha politicos e estadistas à altura dos acontecimentos, que perceberam no rescaldo da guerra os erros do passado e tentaram para futuro criar politicas eficazes e estruturas capazes de  uma mudança e que fomentasse paz no território europeu.
Fazendo uma comparação plausível com os nossos dias, uma vez que os fascismos estão outra vez a despontar, e digo fascismo sem poupar os extremos de direita, como os extremos de esquerda, porque são ambos perigosos para a democracia que todos os dias defendemos.

Fascista hoje deixou de ser aludido como uma ideologia, para passar a ser um adjectivo, o meu conceito de fascista é todo aquele que não é a favor de uma democracia plena, onde o cidadão tem a liberdade e a oportunidade de a exercer.
A resposta do mundo a estes avanços dos totalitarismos vários, é no caso da EUA a mesma resposta que no tempo de entre guerras, a isolação: “tornar a América grande de novo” é no fim  de contas tornar-la mais pequena.

Na Europa a situação assemelha-se com aquela altura, secalhar não em termos de estar próximo uma guerra em solo europeu, mas porque existe uma clara falência nas estruturas de paz do pós-guerra, existem inúmeros desafios na União de paises Europeus. Não só a nivel económico e social, mas sobretudo nas respostas que a Europa dá aos seus cidadãos, por isso a inversão da mentalidade de cada Estado-membro pensar só em si próprio tem que ser garantida, a começar forma como todo o processo do Brexit tem sido conduzido até hoje.

O que está a acontecer com o Brexit é portanto o pior que a politica externa do Reino Unido nos pode dar, uma vez que a nação que liderou os aliados contra o eixo parece já ter esquecido qual é o seu papel no mundo e no seio da União Europeia. Deixando assim para trás a promoção da paz duradoura, da garantia das liberdades e da garantia da democracia como  pilar fundamental do mundo civilizado e esqueceu isto tudo promovendo o egoismo de pensar só em si.

Todas as nações têm que ver aquilo que é o projecto europeu, porque a realidade é que somos uma grande coligação de povos diferentes que se querem compreender e vêem o seu futuro juntos a remar para o interesse comum.
Existem tantos desafios no nosso mundo, tantos problemas à espera de serem resolvidos, tantas pessoas marginalizadas e com dificuldade de acompanhar a maioria, por tudo isto não é este o tempo para divisões.
Proponho com esperança que a questão do Brexit seja ultrapassada e que em conjunto possamos de novo encontrar o caminho Europeu do sucesso no combate das desigualdades e na luta diária da paz, da democracia e do bem estar social e económico.